Corpos falantes e rostos (in)visíveis: corpo, sexualidade e feminismo em “Moça, você é machista”

  • Josefina de Fatima Tranquilin-Silva Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Universidade de Sorocaba (UNISO), Brasil.
Palavras-chave: ativismo digital juvenil, corpo e feminismo, políticas de identidade, políticas de visibilidade, politicidade

Resumo

O artigo propõe reflexões a partir de um olhar direcionado às experiências de subjetividades juvenis, com enfoque especial nas questões sobre o ativismo feminista em espaços digitais. Tem como locus metodológico a página do Facebook “Moça, você é machista” e objetiva analisar a visibilidade do feminismo digital e o corpo feminino como instrumento de luta à sua liberdade. Concluímos que o ativismo e a visibilidade constituídos em “Moça” levam a política de identidades, que proporciona ações de politicidades juvenis, comumente por meio de resistência negociada com as estruturas do poder. A etnografia é a metodologia utilizada.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Josefina de Fatima Tranquilin-Silva, Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e Universidade de Sorocaba (UNISO), Brasil.
Doutora em Antropologia e pós-doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Práticas do Consumo da ESPM-SP. Membro do Grupo de Estudos Juvenália – Culturas Juvenis: Comunicação, Imagem, Política, Consumo (ESPM-SP) e professora da Universidade de Sorocaba (Uniso).

Referências

DE MARÇO sempre é bom lembrar… Moça, você é machista, [s.l.], 2015. Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/pg/MocaVoceEMachista/photos/?tab=album&album_id=778186238941025>. Acesso em: 26 jan. 2017.

BALBINO, J. ‘Moça, você é machista’: trans criam maior página feminista do país. G1, Varginha, 8 mar. 2015. Disponível em: <http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2015/03/moca-voce-e-machista-trans-criam-maior-pagina-feminista-do-pais.html>. Acesso em: 26 jan. 2017.

BALIEIRO, F. F.; PRADO, J. Mídias, gênero, sexualidade e intersecções: entrevista com Iara Beleli. Norus, Pelotas, v. 3, n. 3, p. 102-111, jan./jun 2015. Disponível em: <https://periodicos.ufpel.edu.br/ojs2/index.php/NORUS/article/view/6367/4458>. Acesso em: 26 jan. 2017.

BATISTA, J. C. Das dimensões às capacidades comunicativas: apontamentos sobre o (ciber)ativismo na perspectiva da teoria da ação coletiva. Temática, João Pessoa, v. 8, n. 11, nov. 2012. Não paginado. Disponível em: <http://www.insite.pro.br/2012/Novembro/ciberativismo_teoria_acaocoletiva.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2017.

BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

CAMPANHA dia das mulheres 2016. Moça, você é machista, [s.l.], 2016. Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/pg/MocaVoceEMachista/photos/?tab=album&album_id=965931590166488>. Acesso em: 26 jan. 2017.

CANEVACCI, M. Fetichismos visuais: corpos erópticos e metrópole comunicacional. São Paulo: Ateliê, 2008.

CERTEAU, M. A invenção do cotidiano: artes de fazer. Petrópolis: Vozes, 1994.

DAVIS, A. A importância do trabalho ativista… Ssex Bbox, [s.l.], 14 fev. 2016. Facebook. Disponível em: <https://www.facebook.com/SSEXBBOXDoc/photos/a.169869773058875.38195.145951285450724/1034793489899828/?type=3&theater>. Acesso em: 26 jan. 2017.

FEIXA, C.; NILAN, P. Uma juventude global? Identidades híbridas, mundos plurais. Política e Trabalho: Revista de Ciências Sociais, João Pessoa, n. 31, p. 13-28, set. 2009.

FOUCAULT, M. História da sexualidade: a vontade de saber. Rio de Janeiro: Graal, 1988. v. 1.

GARCIA, W. Corpo e fotografia e Erwin Olaf: estudos contemporâneos. In: COSTA, H. et al. (Orgs.) Retratos do Brasil homossexual: fronteiras, subjetividades e desejos. São Paulo: Edusp, 2010.

GREINER, C. O corpo: pistas para estudos indisciplinares. São Paulo: Annablume, 2005.

GROSSI, P. K. (Org.) Violências e gênero: coisas que a gente não gostaria de saber. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012. Disponível em: <https://books.google.com.br/books?id=EgaegHUfNJMC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>. Acesso em: 26 jan. 2017.

HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 1998.

JOVENS fizeram feminismo crescer em quantidade e qualidade, diz pioneira. Rede Brasil Atual, São Paulo, 17 fev. 2016. Cidadania. Disponível em: <http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2016/02/2018jovens-fizeram-o-feminismo-crescer-em-quantidade-e-qualidade2019-afirma-pioneira-2127.html>. Acesso em: 19 jan. 2017.

LOURO, G. L. O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2000.

______. Um corpo estranho: ensaios sobre sexualidade e teoria Queer. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.

MISKOLCI, R. A gramática do armário: notas sobre segredos e mentiras em relações homoeróticas masculinas mediadas digitalmente. In: PELÚCIO, L.; SOUZA, L. A. F.; SABATINE, T. T. (Org.). Olhares plurais para o cotidiano: gênero, sexualidade e mídia. Marília: Cultura Acadêmica, 2012. p. 35-52.

O BRASIL entre muros. Debate com Christian Dunker, Vladimir Safatle, Maria Rita Kehl e Paulo Arantes. São Paulo: TV Boitempo, 2015. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=WkOpY4CiWY4 >. Acesso em: 26 jan. 2017.

PRECIADO, B. Manifesto contrassexual: práticas subversivas de identidade sexual. São Paulo: n-1 Edições, 2014.

RAMÍREZ, L. G.; OLIVEIRA, R. C. A. Movimientos juveniles y usos de las tecnologias digitales em América Latina. In: CUBIDES, H.; BORELLI, R. U.; VÁZQUEZ, M. (Ed.). Juventudes latinoamericanas: prácticas socioculturales, políticas y políticas públicas. Buenos Aires: CLACSO, 2015. p. 183-213.

RINCÓN, O. Narrativas mediáticas: o cómo se cuenta la sociedad del entretenimiento. Barcelona: Gedisa, 2006.

ROCHA, R. L. M. Corpos significantes na metrópole discursiva: ensaio sobre fetichismo visual e ativismo juvenil. Significação, São Paulo, v. 39, n. 37, p. 126-146, 2012.

______. Cultura da visualidade e estratégias de (in)visibilidade. In: ENCONTRO DA COMPÓS – Grupo de Trabalho Comunicação e Cultura, 15., 2006, Bauru. Anais… Belo Horizonte: 2006.

______. Políticas de visibilidade, juventude e culturas do consumo: um caso (de imagem) nacional. In: CONGRESSO DA LUSOCOM, 8., 2009, Lisboa. Anais… Lisboa: Lusocom, 2009. p. 983 997.

STREY, M. N. Violência e gênero: um casamento que tem tudo para dar certo. In: GROSSI, P. K. Violências e gênero: coisas que a gente não gostaria de saber. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2012.

TÉLLEZ, A. S. Imaginários urbanos. São Paulo: Perspectiva, 2001.

TRANQUILIN-SILVA, J. F. Como os jovens lidam com o erotismo? Narratividades eróticas juvenis nos ambientes digitais. In: CONGRESSO INTERNACIONAL EM COMUNICAÇÃO E CONSUMO, 4., 2014, São Paulo. Anais… São Paulo: COMUNICON, 2014. Disponível em: <http://www.espm.br/download/Anais_Comunicon_2014/gts/gt_cinco/GT05_TRANQUILIN.pdf >. Acesso em: 23 jun. 2016.

______. Sou santa, sou puta, sou filha da luta: narratividades juvenis em “Moça, você é machista”. In: CONGRESSO INTERNACIONAL EM COMUNICAÇÃO E CONSUMO, 5., 2015, São Paulo. Anais… São Paulo: ESPM, 2015. Disponível em: <http://bit.ly/2kLm2Zf>. Acesso em: 19 jan. 2017.

TRANQUILIN-SILVA, J. F.; CAMINHA, M. “Moça, você é Machista”: narratividades juvenis sobre sexualidades e gênero: (re)apropriações de matrizes tradicionais da cultura de massas. In: REUNIÓN DE ANTROPOLOGÍA DEL MERCOSUR, 11., 2015, Montevideo. Anais… Montevideo: Universidad de la Republica, 2015. Disponível em: <http://bit.ly/2kkjS2r>. Acesso em 18 fev. 2016.

VASCONCELLOS, V. Entrevista [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por <https://www.facebook.com/fina.tranquilin> em 2015.

WILTON, G. Corpo e fotografia em Erwin Olaf: estudos contemporâneos. In: COSTA, H. et al. (Orgs.). Retratos do Brasil homossexual: fronteiras, subjetividades e desejos. São Paulo: Imprensa Oficial: Edusp, 2010. p. 269-279.

WAISELFISZ, J. J. Mapa da violência 2015: homicídio de mulheres no Brasil. Brasília, DF: Unesco Brasil, 2015. Disponível em: <http://www.mapadaviolencia.org.br/pdf2015/MapaViolencia_2015_mulheres.pdf>. Acesso em: 19 jan. 2017.

WOODWARD, K. Identidade e diferença: uma introdução teórica e conceitual. In: SILVA, T. T. (Org.). Identidade e diferença: a perspectiva dos estudos culturais. 15. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. p. 7-72.

Publicado
2016-12-17
Como Citar
TRANQUILIN-SILVA, J. Corpos falantes e rostos (in)visíveis: corpo, sexualidade e feminismo em “Moça, você é machista”. Rumores, v. 10, n. 20, p. 234-255, 17 dez. 2016.
Seção
Artigos