Hackear ou ser hackeado: o quase-totalitarismo das redes de segurança globais

  • Athina Karatzogianni Universidade de Leicester, Inglaterra.
  • Martin Gak New School for Social Research, Estados Unidos.
Palavras-chave: segurança, ideologia, quase-totalitarismo, Snowden, redes digitais

Resumo

O presente artigo se concentra nas questões ideológicas da vigilância digital, examinando exemplos empíricos específicos retirados de reportagens publicadas sobre o caso Snowden, com o objetivo de matizar o lugar da política, da ética, dos valores e afetos mobilizados por governos e pela elite corporativa justificando a prática de coleta de dados pessoais numa associação entre três das redes globais de “segurança”. Analisa-se a constituição de um espaço político como esfera de atuação que emerge em contraposição ao que estamos nomeando como mecanismos “quase-totalitários”, baseados na ideia de alinhamento, conluio e imbricamento das três redes de segurança. Os diferentes aspectos desse quase-totalitarismo incluem: o monopólio do planejamento digital em relação à vigilância e a comunicação secreta entre governos, a elite corporativa e, algumas vezes, ONGs; o papel das ONGs na sociedade civil como forma de contornar processos democráticos; as políticas de associação entre empresas que assegurem o duplo objetivo do estado (segurança) e do capital (lucro); a dimensão inigualável da estrutura de aquisição de dados pelas matrizes da inteligência ocidental; a perseguição e julgamento de jornalistas, denunciantes e atores lutando em favor da transparência fora da esfera dos grupos das sociedade civil; e a significativa, mas insuficiente, contestação por parte do público de crimes contra as liberdades civis.

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Biografia do Autor

Athina Karatzogianni, Universidade de Leicester, Inglaterra.

Docente na área de Novas Mídias e Comunicação na Universidade de Leicester (Inglaterra). Foi diretora dos Programas de Mídia do Departamento de Ciências Sociais da Universidade de Hull (Inglaterra). Autora de The politics of cyberconflict (2006); Power, conflict and resistance: social movements, networks and hierarchies (2010), entre outros trabalhos.

Martin Gak, New School for Social Research, Estados Unidos.
Doutor em Filosofia pela New School for Social Research (Estados Unidos). Pesquisa na interface da Ética e da Metafísica, seus interesses de pesquisa relacionam-se com a política, religião e jurisprudência.

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Publicado
2016-12-17
Como Citar
KARATZOGIANNI, A.; GAK, M. Hackear ou ser hackeado: o quase-totalitarismo das redes de segurança globais. Rumores, v. 10, n. 20, p. 114-151, 17 dez. 2016.
Seção
Dossiê