O lugar da morada no cinema de Lucrecia Martel e de Pablo Trapero: paisagens anestésicas ou espaços estésicos?

  • Sandra Fischer Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)
  • Aline Vaz Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)
Palavras-chave: Novo Cinema Argentino, O pântano, Leonera, instituição familiar, lugar da morada, paisagens anestésicas, espaços estésicos

Resumo

O artigo se ocupa do Novo Cinema Argentino – particularmente dos filmes O pântano (La ciénaga, Lucrecia Martel, 2001) e Leonera (Pablo Trapero, 2008) – como potência das configurações domésticas que inscreve no detalhe da instituição familiar uma memória pósditatorial em que imobilidades, exclusões e barreiras são as imagens privilegiadas. Trata-se de um cinema que apresenta ambientes domésticos paradoxais, nos quais proliferam e convivem, lado a lado, práticas ambíguas de acolhimento/abrigo e de repressão/opressão – revelando as relações familiares como modos de experiências advindas do lugar da morada, que poderá se constituir em paisagem anestésica ou em espaço estésico.

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Biografia do Autor

Sandra Fischer, Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)

Pós-doutora em Cinema pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti do Paraná (PPGCom/UTP). Pesquisadora associada ao grupo Desdobramentos Simbólicos do Espaço Urbano em Narrativas Audiovisuais (Grudes) do PPGCom/UTP.

Aline Vaz, Universidade Tuiuti do Paraná (UTP)

Doutoranda e mestre pelo PPGCom/UTP. Pesquisadora do Grudes – PPGCom/UTP.

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Publicado
2018-06-22
Como Citar
FISCHER, S.; VAZ, A. O lugar da morada no cinema de Lucrecia Martel e de Pablo Trapero: paisagens anestésicas ou espaços estésicos?. Rumores, v. 12, n. 23, p. 221-241, 22 jun. 2018.
Seção
Artigos