Cartas para um ladrão de livros

um ladrido para quem corta o relato

  • Ivan Paganotti FIAM-FAAM
Palavras-chave: Cinema, documentário, bibliotecas, censura

Resumo

O artigo analisa a polêmica ao redor do documentário Cartas para um ladrão de livros. Ao expor o furto de obras raras de acervos públicos brasileiros, seus produtores sofreram ameaças de processos judiciais, o que levou à autocensura do filme. O trabalho avalia essa irônica contradição entre o retrato de um personagem perseguido pela justiça por roubar documentos públicos e vendê-los para colecionadores privados, e a ameaça judicial contra o documentário que denuncia a privatização da memória coletiva. Para isso, será analisada também a repercussão dessa denúncia automutilada: poucos meses após seu lançamento, o filme atraiu a atenção de repórteres da imprensa, que acabaram revelando nomes antes censurados de compradores das obras.

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Biografia do Autor

Ivan Paganotti, FIAM-FAAM

Docente do Mestrado Profissional em Jornalismo do Fiam-Faam. Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, com estágio doutoral na Universidade do Minho, com bolsa Capes.

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Publicado
2019-12-12
Como Citar
PAGANOTTI, I. Cartas para um ladrão de livros. RuMoRes, v. 13, n. 26, p. 310-329, 12 dez. 2019.
Seção
Artigos