Por um jornalismo transformativo

dinâmicas do reconhecimento em Presos que menstruam

  • Juliana Gusman Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
Palavras-chave: Reportagem, reconhecimento, reflexividade, feminismo, gênero

Resumo

Pretendemos problematizar como experiências inscritas no âmbito da reportagem, as quais objetivam representar corpos femininos não normativos por meio de uma abordagem autorreflexiva e posicionada, podem dialogar com a noção de reconhecimento antipredicativo. A partir de comentários sobre a obra Presos que menstruam, escrita por Nana Queiroz, cuja perspectiva é marcadamente feminista, iremos discorrer sobre sua ação política no âmbito de um reconhecimento transformativo e desidentitário, sobre a importância de desnaturalizar a generificação violenta dos corpos e sobre os inevitáveis limites destes esforços no campo jornalístico.

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Biografia do Autor

Juliana Gusman, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

Mestre em Comunicação Social pela PUC Minas. Bacharel em Comunicação Social – Jornalismo pela mesma instituição. Membro do grupo de pesquisa Mídia e Narrativa e da rede de pesquisa Metacrítica.

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Publicado
2019-12-12
Como Citar
GUSMAN, J. Por um jornalismo transformativo. RuMoRes, v. 13, n. 26, p. 146-168, 12 dez. 2019.
Seção
Dossiê