Crítica melodramática e crítica suja: uma introdução

Autores

  • Thiago Ansel Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1982-677X.rum.2015.97127

Palavras-chave:

Mídia e periferia, poder, crítica, pureza.

Resumo

Na década de 2000, a produção cultural periférica mobilizou considerável atenção da crítica acadêmica, no campo da comunicação. No período, o potencial transgressivo foi a principal medida a partir da qual manifestações identificadas com as periferias eram consideradas. A ênfase na capacidade ou fracasso em desafiar o estabelecido fez parte de um modelo interpretativo que tomava o discurso dos interlocutores periféricos como alternativa radical ao discurso do poder, portanto, limpa de suas marcas. Explorando um repertório ligado ora à higiene, ora à religiosidade - em que a separação é gesto chave na produção de pureza -, o artigo trata da necessidade de abordar as culturas subalternas sem depender do que se chamou de crítica melodramática, a qual consiste na separação radical entre os discursos estabelecidos e transgressores.

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Biografia do Autor

Thiago Ansel, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ

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Publicado

2015-12-22

Como Citar

ANSEL, T. Crítica melodramática e crítica suja: uma introdução. RuMoRes, [S. l.], v. 9, n. 18, p. 325-344, 2015. DOI: 10.11606/issn.1982-677X.rum.2015.97127. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/Rumores/article/view/97127. Acesso em: 3 dez. 2020.

Edição

Seção

Artigos