Comparação clínica e funcional de pacientes com fibromialgia e dor miofascial

  • José Eduardo Martinez Pontifícia Universidade Católica/SP. Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba
  • Iulo S. Barauna Filho
  • Karen Kubokawa
  • Isabela S. Pedreira
  • Luciana Andrade de Matos Machado
  • Guilhermo Cevasco
Palavras-chave: Fibromialgia. Síndrome miofascial. Qualidade de vida.

Resumo

OBJETIVO: Estabelecer as diferenças e semelhanças entre mulheres com fibromialgia (FM) e mulheres com dor miofascial regional (DM) do ponto de vista clínico, funcional e qualidade de vida. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo transversal de 26 mulheres que preencheram os critérios de classificação de fibromialgia da American College of Rheumatology e 18 mulheres com dor músculo-esquelética regional associada à pontosgatilho dolorosos na área afetada pela dor. Foram analisados estatisticamente pela disciplina de Bioestatística da Faculdade os seguintes parâmetros: intensidade da dor (escala analógica numérica de dor – 0 a 10 – END); intensidade de fadiga (escala analógica numérica fadiga – 0 a 10 – ENF); nº de pontos dolorosos/ gatilho; capacidade funcional (Health Assessment Questionnaire – 0 a 3 – HAQ); qualidade do sono (Post-sleep Inventory – 0 a 120 – PSI); intensidade de sintomas depressivos (Beck Depression Inventory – 0 a 60 – BDI); e qualidade de vida global (Fibromyalgia Impact Questionnaire – 0 a 100 – FIQ). Ambos os grupos equiparavam-se em relação a idade e estado civil e diferiam em relação à escolaridade, que era mais alta no grupo da DM. RESULTADOS: As pacientes com DM apresentavam dor nas seguintes regiões: coluna cervical, cintura escapular, cintura pélvica e ATM. Os parâmetros avaliados no grupo da FM mostraram os seguintes resultados: END – 7,7 (5 – 10); ENF – 6,8 (0 –10); nº de pontos dolorosos – 13,7 (11 – 17); HAQ – 1,26 (0,12 – 2,37); PSI – 81,29 (29 –110); BDI – 24 (0 – 60) e FIQ – 58,46 (33,0 – 80,71). No grupo da DM, observaram-se os seguintes resultados: END - 7,1 (2 – 10); ENF – 5,1 (0 – 10); nº de pontos dolorosos – 6,6 (1 - 8); HAQ – 0,68 (0 – 1,62); PSI – 64,62 (35 – 110); BDI – 18,5 (11 – 26) e FIQ – 43,55 (25,4 – 60,0). Houve diferença estatisticamente significante nos seguintes parâmetros: escolaridade, local de início da dor, nº de pontos dolorosos, comorbidade, HAQ, PSI, BDI e FIQ. CONCLUSÕES: As semelhanças observadas entre pacientes com FM e DM são: dados demográficos, intensidade da dor e fadiga, presença de fatores desencadeantes e nível de atividade física. As diferenças observadas foram: escolaridade, capacidade funcional, qualidade do sono, intensidade da depressão e qualidade de vida.

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Biografia do Autor

José Eduardo Martinez, Pontifícia Universidade Católica/SP. Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba
Professor Associado do Departamento de Medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Sorocaba – CCMB – PUCSP
Iulo S. Barauna Filho
Acadêmico de Medicina
Karen Kubokawa
Acadêmico de Medicina
Isabela S. Pedreira
Acadêmico de Medicina
Luciana Andrade de Matos Machado
Acadêmico de Medicina
Guilhermo Cevasco
Acadêmico de Medicina

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Publicado
1998-12-09
Seção
Artigo Original