Atuação da fisioterapia nas disfunções sexuais femininas

uma revisão sistemática

  • Raquel Eleine Wolpe Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Ariana Machado Toriy Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Fabiana Pinheiro da Silva Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Kamilla Zomkowski Universidade do Estado de Santa Catarina
  • Fabiana Flores Sperandio Universidade do Estado de Santa Catarina
Palavras-chave: Disfunção Sexual Fisiológica/reabilitação, Mulheres, Modalidades de Fisioterapia

Resumo

As disfunções sexuais femininas (DSFs) são consideradas um problema de saúde pública pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Consistem em inúmeras desordens, como distúrbio da excitação feminina, distúrbio do desejo sexual hipoativo, transtorno sexual do orgasmo feminino, dispareunia e vaginismo. As DSFs são detectadas em 67,9% das mulheres no mundo e estão presentes em 50% das asiáticas, em 30 a 50% das americanas e em 30% das brasileiras. Objetivo: Revisar sistematicamente a literatura sobre as diferentes técnicas de fisioterapia utilizadas no tratamento das DSFs. Métodos: Realizou-se uma busca sistemática, nas bases de dados EMBASE, PEDro e MedLine, de artigos publicados até junho de 2013, através da combinação entre palavras e descritores de tratamentos fisioterapêuticos e disfunções sexuais femininas. Foram excluídos os artigos sobre disfunção sexual masculina, estudos pilotos, papers ou projetos multicêntricos, que não estivessem disponíveis na íntegra ou duplicados em outra base de dado. Após a seleção final dos estudos, foi verificada a pontuação dos ensaios clínicos randomizados na Escala de Avaliação PEDro. Resultados: 11 artigos foram incluídos e, destes, seis passaram para a avaliação qualitativa na Escala PEDro. Este estudo seguiu a estruturação metodológica do PRISMA (Statement for Reporting Systematic Reviews and Meta-Analyses of Studies). Todos os estudos encontrados utilizaram questionários para avaliar os efeitos da intervenção fisioterapêutica nas DSFs. Foi verificado um total de cinco tipos de intervenções diferentes: cinesioterapia (exercícios de Kegel e treinamento muscular do assoalho pélvico - TMAP), terapia cognitivo-comportamental (CGBT), biofeedback, eletroterapia (TENS - eletroestimulação transcutânea e US - ultrassom terapêutico) e terapia manual. As limitações encontradas nesta revisão sistemática foram referentes a não disponibilização dos artigos na íntegra e à baixa qualidade metodológica dos estudos. Conclusão: Todos os estudos mostraram melhora na função sexual após intervenção fisioterapêutica. Não há um consenso sobre a intervenção com melhores resultados, no entanto, a cinesioterapia através do TMAP mostrou-se vantajosa por ser de fácil aplicação, baixo custo, aprendizado imediato e promover resultados duradouros em um curto período de tempo. No entanto, existem lacunas metodológicas que ainda precisam ser preenchidas para determinar o tratamento fisioterapêutico eletivo para as DSFs, assim como definir a melhor dosagem, o protocolo a ser seguido, a duração desta terapia, aliados ao melhor custo-benefício

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Biografia do Autor

Raquel Eleine Wolpe, Universidade do Estado de Santa Catarina
Mestranda em Fisioterapia, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Ariana Machado Toriy, Universidade do Estado de Santa Catarina
Mestranda em Fisioterapia, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC
Fabiana Pinheiro da Silva, Universidade do Estado de Santa Catarina
Graduanda em Fisioterapia, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC.
Kamilla Zomkowski, Universidade do Estado de Santa Catarina
Graduanda em Fisioterapia, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC.
Fabiana Flores Sperandio, Universidade do Estado de Santa Catarina
Docente do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

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Publicado
2015-06-09
Seção
Artigo de Revisão