Perfil epidemiológico dos pacientes com paralisia cerebral atendidos na AACD - São Paulo

  • Anny Michelly Paquier Binha Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD
  • Simone Carazzato Maciel Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD
  • Carla Cristine Andrade Bezerra Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Palavras-chave: Paralisia Cerebral, Hemiplegia, Quadriplegia

Resumo

Paralisia cerebral (PC) abrange um grupo de síndromes clínicas de causa multifatorial caracterizadas por déficit motor, algumas vezes com disfunção postural. Objetivos: Caracterizar a população dos novos pacientes da clínica de PC na instituição, de Janeiro-2012 a Dezembro-2014. Métodos: Estudo retrospectivo. Avaliados 743 prontuários eletrônicos de pacientes atendidos em consultas iniciais de PC, sendo elegíveis 614 casos. Resultados: Sexo: feminino = 47,4%, masculino = 52,6%. Idade em anos: 29,5% menores de 2; 34% de 2 a 4; 15,5% de 4 a 6; 16,3% de 6 a 12; 4,6% 12 a 18; 0,2% ≥ 18 anos. Ao nascimento 50,7% eram pré-termo e 45% termo. Peso: 9,1% classificados como extremo baixo peso, 16,8% muito baixo peso, 21,8% baixo peso, 43,6% peso adequado, 2,3% macrossômicos. Tipo de parto predominante: cesáreo (56,5%). Classificação clínica e topográfica dos pacientes: 13,4% Hemiparéticos espásticos, 33,9% Diparéticos espásticos, 12,2% Tetraparéticos espásticos, 0,5% Monoparéticos espásticos, 5,9% Discinéticos/atáxicos, 5,7% PC mista, 1% hipotônicos. Em 55,5% das famílias não recebiam auxílio doença. Sobre atendimentos especializados observou-se que para 97,7% dos pacientes tratava-se da primeira consulta com um médico Fisiatra. Conclusão: Maioria das gestantes realizaram pelo menos o número mínimo adequado de consultas de pré-natal. Parto cesariano predominou. Nascimentos pré-termo foi ligeiramente superior comparado com a termo. Tipo de PC predominou o tipo Diparético espástico, com GMFCS nas faixas de 1 a 5 equivalente. Mais da metade das famílias ainda sem acesso a benefício social.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Tarran ABP, Castro NMD, Morais Filho MC, Abreu FP. Paralisia cerebral. In: Fernandes AC, Ramos ACR, Morais Filho MC, Ares MJJ. Reabilitação. 2 ed. Barueri: Manole; 2014. p. 27-47.

Garcia DP, San Martín PP. Caracterización sociodemográfica y clínica de la población atendida en el Instituto Teletón de Santiago. Rev Chil Pediatr. 2015; 86 (3):161-7. DOI: https://doi.org/10.1016/j.rchipe.2015.06.002

Binha AMP, Rocco FM, Silveira VC, Masiero D, Lourenço A. Reabilitação do paciente com paralisia cerebral. In: Chamlian TR. Medicina física e reabilitação. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2010. p. 341-7.

Caraviello EZ, Cassefo VC, Chamlian TR. Estudo epidemiológico dos pacientes com paralisia cerebral atendidos no Lar Escola São Francisco. Med Reabil. 2007;25(3):63-7.

Pato TR, Souza DR, Leite HP. Epidemiologia da paralisia cerebral. Acta Fisiatr. 2002;9(2):71-6.

Durkin MS, Benedict RE, Christensen D, Dubois LA, Fitzgerald RT, Kirby RS, et al. Prevalence of cerebral palsy among 8-year-old children in 2010 and preliminary evidence of trends in its relationship to low birthweight. Paediatr Perinat Epidemiol. 2016;30(5):496-510. DOI: https://doi.org/10.1111/ppe.12299

Johnson A. Prevalence and characteristics of children with cerebral palsy in Europe. Dev Med Child Neurol. 2007:44(9):633-40. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1469-8749.2002.tb00848.x

Hirvonen M, Ojala R, Korhonen P, Haataja P, Eriksson K, Gissler M, et al. Cerebral palsy among children born moderately and late preterm. Pediatrics. 2014;134(6):e1584-93. DOI: https://doi.org/10.1542/peds.2014-0945

Hagberg B, Hagberg G, Beckung E, Uvebrant P. The changing panorama of cerebral palsy in Sweden. Prevalence and origin in the birth year period 1987-90. Acta Paediatr. 1996;85(8):954-60. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1651-2227.1996.tb14193.x

Bettiol H, Barbieri MA, Silva AAM. Epidemiologia do nascimento pré-termo: tendências atuais. Rev Bras Ginecol Obstet. 2010;2(32):57-60.

O'leary CM, Watson L, D'antonie H, Stanley F, Bower C. Heavy maternal alcohol consumption and cerebral palsy in the offspring. Dev Med Child Neurol. 2012;54(3):224-30. DOI: https://doi.org/10.1111/j.1469-8749.2011.04201.x

Reid SM, Dagia CD, Ditchfield MR, Carlin JB, Meehan EM, Reddihough DS. An Australian population study of factors associated with MRI patterns in cerebral palsy. Dev Med Child Neurol. 2014;56(2):178-84. DOI: https://doi.org/10.1111/dmcn.12331

Pfeifer LI, Silva DB, Funayama CA, Santos JL. Classification of cerebral palsy: association between gender, age, motor type, topography and Gross Motor Function. Arq Neuropsiquiatr. 2009;67(4):1057-61. DOI: https://doi.org/10.1590/S0004-282X2009000600018

Braun KVN, Doernberg N, Schieve L, Christensen D, Goodman A, Yeargin-Allsopp M. Birth prevalence of cerebral palsy: a population-based study. Pediatrics. 2016;137(1):1-9.

Rosenbaum P, Hidecker MJC, Palisano RJ. Classification in Childhood Disability. J Child Neurol. 2014;29(8):1036-45. DOI: https://doi.org/10.1177/0883073814533008

Registro Brasileiro de Gêmeos [homepage na Internet]. Diamantina: Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri; c2017 [citado em 2017 Dez 25]. Disponível em: http://www.gemeosbrasil.org

Blickstein I, Weissman A. Estimating the risk of cerebral palsy after assisted conceptions. N Eng J Med. 1999;341(17):1313-4. DOI: https://doi.org/10.1056/NEJM199910213411714

Publicado
2018-03-31
Seção
Artigo Original