Entre consumos suntuários e comuns: a posse de objetos exóticos entre alguns habitantes do Porto (séculos XVI - XVII)

  • Isabel dos Guimarães Sá Universidade do Minho; Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade; Departamento de História
Palavras-chave: Cultura material, Consumo de bens exóticos, Confrarias de Misericórdia, Doadores

Resumo

O estudo da documentação referente aos doadores da Misericórdia do Porto entre os séculos XVI e XVII, através dos objetos exóticos patentes nos respectivos testamentos e inventários - estes últimos provenientes de uma área que se estende de Macau ao Brasil -, permite discernir uma panóplia de objetos que mudaram a cultura material dos portuenses em contato com os territórios da expansão portuguesa. Um levantamento sistemático permitiu já rastrear, até o ano de 1699, 257 doadores, dos quais se apresentarão aqui apenas alguns, referentes a benfeitores que, não obstante possuírem bens móveis nesse âmbito, não são dados como tendo estado nos territórios de expansão transoceânica. Argumentar-se-á que essa circulação de objetos não foi exclusiva das elites nobiliárquicas, nem dos grandes centros urbanos, pelo que a sua difusão atingiu maiores proporções do que aquelas que a historiografia tem admitido até agora. A cidade em observação neste estudo - o Porto dos séculos XVI e XVII - estava longe de ser das maiores da Europa nesse período, quer em dimensão territorial, quer em efetivos populacionais, embora se situasse numa região de demografia pujante, que canalizou os seus excedentes desde cedo para a emigração interna e externa - o Entre Douro e Minho. Como teremos ocasião de verificar, fidalgos e nobres possuíam bens exóticos, mas estes encontravam-se também entre mercadores e até artesãos mais desafogados. Por outro lado, nem todos os objetos provenientes dos espaços da expansão transoceânica devem ser conotados com bens de luxo.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2017-04-01
Como Citar
Sá, I. (2017). Entre consumos suntuários e comuns: a posse de objetos exóticos entre alguns habitantes do Porto (séculos XVI - XVII). Anais Do Museu Paulista: História E Cultura Material, 25(1), 35-57. https://doi.org/10.1590/1982-02672017v25n0102
Seção
Estudos de Cultura Material/Dossiê