Descolonizar o pensamento museológico: reintegrando a matéria para re-pensar os museus

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/1982-02672020v28e1

Palavras-chave:

Museologia, Museus, Descolonização, Matéria, Materialização

Resumo

O artigo apresenta uma reflexão com bases teóricas sobre as estruturas coloniais dos museus, considerando historicamente o desenvolvimento dessas instituições no Brasil desde a criação do Museu Nacional do Rio de Janeiro, em 1818. Propõe a descolonização do pensamento museológico por meio do reconhecimento crítico de suas bases no Iluminismo e na reiteração material do sujeito racional como sujeito ontológico herdado desde o cogito cartesiano. Abordando a crítica decolonial, identifica na separação entre sujeito e objeto e entre pensamento e matéria – estruturantes do pensamento filosófico ocidental – o principal traço do colonialismo nos regimes museais e patrimoniais. Entendendo os museus como dispositivos de “materialização”, segundo o conceito de Judith Butler, o artigo propõe a reintegração da matéria ao pensamento na teoria museológica como caminho para re-pensar as práticas museais em regimes pós-coloniais.

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Biografia do Autor

Bruno Brulon, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro / Rio de Janeiro, RJ, Brasil

Bacharel em Museologia, licenciado e bacharel em História pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio – UNIRIO/Mast; doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF). Atualmente é professor adjunto dos cursos de Museologia da UNIRIO e presidente do Comitê Internacional de Museologia – ICOFOM, do ICOM. 

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Publicado

2020-01-27

Como Citar

Brulon, B. (2020). Descolonizar o pensamento museológico: reintegrando a matéria para re-pensar os museus. Anais Do Museu Paulista: História E Cultura Material, 28, 1-30. https://doi.org/10.1590/1982-02672020v28e1

Edição

Seção

Museus