Transgêneros teatrais

práticas de liberdade na cena brasileira

Resumo

O presente ensaio busca analisar na produção teatral contemporânea brasileira estratégias cênicas e discursivas que descortinem, conforme Adrienne Rich, a “via da heterossexualidade compulsória”. Sendo assim, o propósito aqui é observar certas confluências temático-formais entre os respectivos debates a respeito dos estudos de gêneros artísticos e sexuais. O intuito é menos o de classificar do que o de revelar diferenças, a partir de um exercício instável de justaposição, entre as práticas teatrais brasileiras e alguns enquadramentos teóricos encontrados no âmbito dos estudos de gênero e sexualidade. Como pano de fundo residem as seguintes questões: em que medida tais estudos podem revelar um novo olhar sobre as teorias do teatro? O questionamento dos sistemas normativos de gênero e sexualidade equivalem às desconfianças quanto às taxonomias artísticas?

Palavras-chave: Teatro Contemporâneo Brasileiro, Estudos Queer, Teatro Queer, Transfobia.

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Biografia do Autor

Manoel Silvestre Friques, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e do PPG em Artes da Cena da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em História pela PUC-Rio, foi pesquisador visitante na Columbia University (2015-2016).

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Publicado
2018-10-25
Como Citar
Friques, M. (2018). Transgêneros teatrais. Revista Aspas, 8(1), 41-97. https://doi.org/10.11606/issn.2238-3999.v8i1p41-97