Sequências e hierarquia estratigráfica da bacia do Paraná (Ordoviciano ao Cretáceo), sul do Brasil

  • E. J Milani PETROBRÁS/E& P/GEREX
  • U. F Faccini UNISINOS; Dpto. de Geologia
  • C. M Scherer UFRGS; Inst. de Geociências
  • L. M Araújo PETROBRÁS/E& P/GEREX
  • J. A Cupertino PETROBRÁS/E& P/GEREX
Palavras-chave: Bacia do Paraná, Estratigrafia de Seqüências, Arcabouço Estratigráfico

Resumo

A Bacia do Paraná, uma vasta área de sedimentação paleozóica-mesozóica, abriga um registro estratigráfico com idades entre o Neo-Ordoviciano e o Neocretáceo, compreendendo seis superseqüências (Milani, 1997): Rio Ivaí (Ordoviciano-Siluriano), Paraná (Devoniano), Gondwana I (Carbonífero-Eotriássico), Gondwana II (Meso a Neotriássico), Gondwana III (Neojurássico-Eocretáceo) e Bauru (Neocretáceo). As três primeiras correspondem a grandes ciclos transgressivos paleozóicos, enquanto as demais são representadas por pacotes de sedimentitos continentais e rochas ígneas associadas. Estas superseqüências constituem o registro preservado de sucessivas fases de acumulação sedimentar que se intercalaram a períodos de erosão em ampla escala. A evolução de cada unidade foi condicionada por contextos particulares em termos de clima e condições tectónicas. A Superseqüência Rio Ivaí relaciona-se à implantação da Bacia do Paraná, e a geometria de sua área de ocorrência, com depocentros alongados de orientação geral SW-NE, sugere ter ela sido controlada por algum mecanismo de rifteamento. A Superseqüência Paaná acumulou-se durante uma época de amplo afogamento marinho das áreas cratônicas do Gondwana. Condições de bacia intracratônica, implicando um efetivo isolamento no interior continental, começam a predominar durante a deposição da Superseqüência Gondwana I, o que viria a culminar no desenvolvimento de amplos campos de dunas eólicas, já ao final do Jurássico. Os magmatitos Serra Geral, do Eocretáceo, estão relacionados aos estágios iniciais de ruptura do paleocontinente, e a cobertura continental Bauru encerrou a história sedimentar da Bacia do Paraná. O potencial petrolífero da Bacia do Paraná vincula-se a dois sistemas petrolíferos bem estabelecidos: para o primeiro, favorável a hidrocarbonetos gasosos, a geração ocorreu nos folhelhos da Formação Ponta Grossa e a acumulação nos arenitos do Grupo Itararé ou da Formação Rio Bonito; o segundo inclui geração nos folhelhos betuminosos da Formação Irati aspectos, o papel do magmatismo mesozóico na maturação dos horizontes potencialmente geradores da Bacia do Paraná parece ter sido um ponto crucial de sua história evolutiva, e um item que requer investigações adicionais.
Publicado
1998-01-01
Seção
nao definida