Cenas de microcefalia, de cuidado, de antropologia (Recife, setembro de 2017)

  • Soraya Fleischer DAN/UnB
Palavras-chave: Zika vírus, escrita etnográfica, diário de campo, Recife

Resumo

Desde 2016, eu e equipes compostas por pesquisadoras de graduação, mestrado e doutorado temos visitado o Recife/PE. A cada semestre, passamos uma quinzena (re)encontrando, acompanhando e conversando um mesmo conjunto de mulheres que tiveram filhos com a síndrome congênita do vírus Zika entre 2015 e 2016. Escrevemos diários de campo individuais durante o período da noite, após as atividades de pesquisa de campo durante o dia. Depois, circulamos versões editadas desses diários entre nós. Circular esse material dentro da equipe funciona como um importante passo metodológico e pedagógico e permite criar um corpus empírico que pode ser (re)utilizado por essa e também equipes futuras. As cenas da montagem apresentada nesse artigo vêm, especificamente, do período mais recente de pesquisa de campo, realizada em setembro de 2017, quando dessa vez, excepcionalmente, viajei sozinha. Nesse estilo narrativo, trago trechos – ou cenas, como prefiro caracterizá-las – diretamente desses diários de campo mais recentes. Há alguma edição para resguardar anonimato, para as frases fazerem sentido quando retiradas de um contexto mais amplo, para que a situação dramática central fique um pouco mais evidenciada. Aqui, o pleito é reunir e apresentar cenas vívidas e vividas por “mães de micro” no Recife/PE; valorizar o diário de campo como material empírico e reflexivo; por experimentar o efeito da montagem como prática de análise antropológica; por deslocar o epicentro e a onipresença da autoria em antropologia. 

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Publicado
2018-10-27
Seção
Artigos e Ensaios