"Corpos em contato"

Subalternização, resistência e o Serviço de Proteção ao Índio na 2° inspetoria regional do Pará

  • Ana Vitória Santos da Costa Museu Paraense Emílio Goeldi
  • Vanderlúcia da Silva Ponte Universidade Federal do Pará
Palavras-chave: Corpo, indigenismo, saúde, doença, Serviço de Proteção ao Índio

Resumo

Este artigo analisa a relação estabelecida entre o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) e as populações indígenas, na 2° Inspetoria Regional do Pará (IR2), a partir das medidas médicas e sanitárias, considerando em quais proporções esses sujeitos construíram agências e resistências na produção dos corpos e nos processos de saúde e doença. Por meio de relatórios de inspeção; cartas; ofícios; laudos médicos; exames de corpos de delito, e as mais diversas narrativas disponíveis no acervo digital do SPI e em vivências em campo pôde-se entender que, no século XX, as políticas de saúde que se inauguram na República Brasileira incidiram em um longo processo de formação do Estado e da identidade nacional. Dessa forma, por meio de complexa rede de ações militares, científicas e higienistas, os corpos indígenas; “vigiados”, “silenciados”, “submetidos”, transitavam entre trocas, conflitos, negociações, ressignificações e, principalmente, como elo das agências dos sujeitos indígenas nas articulações entre seu sistema sociocósmico e o sistema médico sanitário ocidental.

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Publicado
2020-06-30
Como Citar
Costa, A. V., & Ponte, V. (2020). "Corpos em contato". Cadernos De Campo (São Paulo 1991), 29(1), 200-224. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v29i1p200-224
Seção
Especial