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Persistência e mudança em sociedades de "folk" no Brasil

Gioconda Mussolini

Resumo


No Brasil, e muito particularmente no Es-
tado de São Paulo, “zona velha” e “zona nova”
de povoamento são expressões que correspon-
dem não só a áreas geografìcamente distintas,
como também, pelo menos numa representa-
ção ideal, a dois tipos extremos em matéria de
estabilidade social e de sedimentação cultural.
Quanto à primeira, encontramo-nos no do-
mínio da integração cultural, da atividade ro-
tinizada, de um ajustamento mais equilibrado
do homem ao meio físico, onde ainda se pode
procurar pela vigência de “folk ways”, “folk
lore” e “folk songs” em pleno funcionamento
se se quiser caracterizar, pela sua posse, uma
população campesina ou rústica2. Quanto à
segunda, deparamos com aquele quadro típico
que levou Pierre Monbeig a dizer que nas zo-
nas pioneiras “em tôda a parte, na cidade como
no campo, o viajante sente que nada é estável,
nada é definitivo” (1952, p. 11). De um lado,
portanto, a pouca mobilidade espacial e uma
definição assentada da posição ecológica das
várias cidades que exercem função de “centros
de dominância” ou “capitais regionais”. De
outro, o verdadeiro nomadismo daqueles in-
divíduos que se habituaram a estar sempre no
extremo de um trilho de estrada de ferro, na
“boca do sertão”, no ponto da última arran-
cada da “marcha para o oeste”, muito embora
tenham deixado atrás de si a situação próspera
de outro centro ainda novo e promissor; zona
de intensa competição entre as várias cidades
pela disputa da posição de dominância sobre as
áreas circundantes.


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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-9133.v18i18p287-300

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