Cadernos de Campo (São Paulo - 1991) http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo <p>A <strong>Cadernos de Campo – revista dos alunos de pós-graduação em antropologia social da USP</strong> - ISSN - 2316-9133 - é uma publicação semestral dedicada a divulgar trabalhos que versem sobre temas, resultados de pesquisas e modelos teórico-metodológicos de interesse para o debate antropológico contemporâneo e que possam contribuir no desenvolvimento de pesquisas em nível de pós-graduação, no país e no exterior. A revista aceita periodicamente contribuições nos seguintes formatos: artigos e ensaios inéditos, traduções, resenhas, entrevistas e produções estéticas.</p> <p>Criada em 1991, Cadernos de Campo é o resultado dos esforços continuados de alunas e alunos do programa de pós-graduação em antropologia social da Universidade de São Paulo na busca por produzir uma revista de qualidade e relevância para a debate acadêmico. Com o objetivo original de divulgar a produção do corpo discente do programa de pós-graduação em antropologia social da Universidade de São Paulo (PPGAS/USP), a revista tornou-se, ao longo desses anos, um importante periódico de abrangência nacional e internacional.</p> <p>ISSN: 0104-5679 (desde 1991)</p> <p>e-ISSN: 2316-9133 (desde 2012)</p> <p> </p> <p><strong>Acesso Rápido:</strong></p> <p> <a title="http://revistas.usp.br/cadernosdecampo/user/register" href="http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/user/register" target="_self">Registre-se</a>| <a title="http://revistas.usp.br/cadernosdecampo/about/submissions#onlineSubmissions" href="http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/about/submissions#onlineSubmissions" target="_blank" rel="noopener">Submissões</a>| <a title="http://revistas.usp.br/cadernosdecampo/about/editorialTeam" href="http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/about/editorialTeam" target="_self">Comissão Editorial</a>| <a title="http://revistas.usp.br/cadernosdecampo/issue/archive" href="http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/issue/view/11526">Número atual</a>|<strong> </strong><a title="http://revistas.usp.br/cadernosdecampo/issue/view/4181" href="http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/issue/view/10569/showToc">Todos os números</a></p> <p><br />A <strong>Cadernos de Campo </strong>possui seus metadados indexados nos seguintes bancos de dados nacionais e internacionais:<br /><br /><a title="http://www.periodicos.capes.gov.br/?option=com_pmetabusca&amp;mn=88&amp;smn=88&amp;type=p&amp;sfx=buscaRapida" href="http://www.periodicos.capes.gov.br/?option=com_pmetabusca&amp;mn=88&amp;smn=88&amp;type=p&amp;sfx=buscaRapida" target="_blank" rel="noopener">Portal de Periódicos da CAPES</a> | <a title="http://132.248.9.1:8991/F/62HYUMN53T2AMJKQ8ETV4R1US2KV5XRXTTSMKVENPJ3DII1J3R-29484?func=find-b&amp;request=cadernos+de+campo+s%C3%A3o+paulo&amp;find_code=WRE&amp;adjacent=N&amp;local_base=CLA01&amp;x=62&amp;y=9&amp;filter_code_1=WLN&amp;filter_request_1=&amp;filter_code_2=WYR&amp;filter_request_2=&amp;filter_code_3=WYR&amp;filter_request_3=" href="http://clase.unam.mx/" target="_blank" rel="noopener">CLASE</a> | <a title="http://www.latindex.unam.mx/buscador/resBus.html?palabra=+%09Cadernos+de+Campo+%28S%E3o+Paulo.+1991&amp;opcion=1&amp;Submit=Buscar" href="https://www.latindex.org/latindex/ficha?folio=21896" target="_blank" rel="noopener">Latindex</a> | <a title="http://www.sumarios.org/revistas/cadernos-de-campo-revista-dos-alunos-de-p%C3%B3s-gradua%C3%A7%C3%A3o-em-antropologia-social-da-usp" href="https://sumarios.org/revista/cadernos-de-campo" target="_blank" rel="noopener">Sumários.org</a> | <a title="http://ulrichsweb.serialssolutions.com.ezproxy1.library.arizona.edu/title/1358913317751/219764" href="http://ulrichsweb.serialssolutions.com.ezproxy1.library.arizona.edu/title/1358913317751/219764" target="_blank" rel="noopener">Ulrich’s</a> | <a title="http://seer.ibict.br/index.php?option=com_mtree&amp;task=viewlink&amp;link_id=2458&amp;Itemid=109" href="http://seer.ibict.br/index.php?option=com_mtree&amp;task=viewlink&amp;link_id=2458&amp;Itemid=109" target="_blank" rel="noopener">Ibict-SEER</a></p> Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pt-BR Cadernos de Campo (São Paulo - 1991) 0104-5679 <p>Autorizo a <strong>Cadernos de Campo - Revista dos Alunos de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (PPGAS-USP)</strong> a publicar o trabalho (Artigo, Ensaio, Resenha,Tradução, Entrevista, Arte ou Informe) de minha autoria/responsabilidade assim como me responsabilizo pelo uso das imagens, caso seja aceito para a publicação.<br><br>Eu concordo a presente declaração como expressão absoluta da verdade, também me responsabilizo integralmente, em meu nome e de eventuais co-autores, pelo material apresentado.<br><br>Atesto o ineditismo do trabalho enviado.</p> Sair para o mato: estratégia yanomami contra a Covid-19 http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169771 <p>Com o avanço da Covid-19 os Yanomami do rio Marauiá (Amazonas, Brasil) atualizam uma prática tradicional de mobilidade (<em>wayumɨ</em>) como estratégia de resistência e de sobrevivência. Contra a nova pandemia<em>, </em>saem das aldeias e se refugiam na floresta, invertendo a aproximação histórica com os não-indígenas (<em>napë pë</em>), recusando a proximidade e o convívio. Até saírem de suas aldeias, um interlocutor compartilhava conosco notícias e reflexões sobre o momento em que vivemos e é a partir destas conversas que trazemos algumas reflexões sobre esta prática e a possibilidade de pensarmos e aprendermos com as estratégias yanomami de enfrentamento de epidemias (<em>xawara</em>).</p> Thiago Magri Benucci Daniel Stiphan Jabra Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-06-17 2020-06-17 29 supl 26 33 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp26-33 De xawara, estratégias nativas e a pesquisa antropológica na Terra Indígena Yanomami http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170476 <p>O objetivo deste relato é descrever os principais impactos da pandemia do novo corona vírus e o trabalho do (a) antropólogo (a) na Terra Indígena Yanomami. A identificação de uma continuidade histórica de ação estatal para eliminação dos povos indígenas toma forma na omissão de atividades ilegais como garimpo, desmatamento e precário acesso à saúde. A partir destes fatores adversos, diversas estratégias nativas contra epidemias e contágio são elaboradas desde deslocamentos para a mata e distante de zonas de proximidade com a população não-indígena. Essas estratégias visam o isolamento social em relação a áreas de maior contágio. Portanto, em frente a novo risco de genocídio aponta-se a necessidade da continuidade da pesquisa antropológica ainda que na impossibilidade de ingresso nas terras indígenas</p> Marina Sousa Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-27 2020-07-27 29 supl 34 41 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp34-41 Pandemias, profecias e autonomias http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170254 <p>Este relato, através da antropologia engajada e psicologia crítica, articula narrativas Guarani e Kaiowá com a pandemia do novo coronavírus, com intuito de evidenciar as ações autônomas da população indígena de contenção do COVID-19 em seus territórios. Por outro lado, os primeiros casos de infecção entre os Guarani e Kaiowá no Mato Grosso do Sul surgem a partir de grandes empresas do agronegócio, justamente o setor responsável por parte considerável da destruição de habitats que criam fricções entre seres humanos e não-humanos, gerando situações proto-pandêmicas. Neste sentido, buscamos demonstrar a permanência da colonialidade através da contradição entre o modo de vida não-indígena e a sensibilidade de mundo dos Guarani e Kaiowá com objetivo de descolonizar os discursos sobre saúde e doença, destacando a agência política dos povos indígenas para enfrentar a pandemia.</p> Felipe Mattos Johnson Lucas Luis Faria Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-07 2020-07-07 29 supl 42 52 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp42-52 Sociabilidade pandêmica? http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169827 <p>No contexto global da crise sanitarista, a cidade de São Paulo, epicentro da pandemia no Brasil, também se viu diante da necessidade de retenção dos corpos em movimentação, enunciando medidas restritivas de urgência num quadro geral denominado de quarentena. Paradoxalmente, percepções aparentemente lúdicas e jocosas de se lidar com a pandemia puderam ser observadas nos meandros da sociabilidade citadina, chamando nossa atenção para os usos de alguns conceitos e noções caros à Antropologia Urbana. Esse texto discute como essa conjuntura de sofrimento se desdobrou em manejos mais lábeis numa sintomatologia popular, sem desconsiderar o potencial analítico da noção de sociabilidade ao lidar com a politização de corpos dispostos a operar a partir do cenário que moldou localmente a pandemia: de um lado, estratégias políticas e científicas orientando as ações públicas na administração da cidade e, do outro, a presença de contradiscursos anti-intelectualistas e/ou cientificistas dissonantes ressoados pelas esferas federais de poder.</p> Luiz Henrique de Toledo Roberto de Alencar Pereira de Souza Junior Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-06-17 2020-06-17 29 supl 53 64 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp53-64 "Salve-se quem puder" http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169109 <p>Neste ensaio, voltamos nossa reflexão para os efeitos sociais da covid-19 tomando como foco a realidade vivenciada por estudantes de universidades federais localizadas no Mato Grosso do Sul: a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Ao considerarmos que dentre as medidas, inicialmente adotadas, estiveram a escolha pelo trabalho remoto, por meio de estudos dirigidos, com a utilização de tecnologias digitais, há que se ponderar: em que medida tais iniciativas incidem diretamente no acesso e permanência de estudantes socialmente vulneráveis? A partir disso, é possível pensar sobre os limites e contradições das políticas e modelos de intervenção que desconsideram diferenças socialmente existentes e que, quando não democraticamente amadurecidas, tendem a ser tão perigosos quanto a própria pandemia ao se constituírem como mecanismos sutis e perversos de exclusão.</p> Esmael Alves de Oliveira Guilherme Rodrigues Passamani Marcelo Victor da Rosa Tiago Duque Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-06-22 2020-06-22 29 supl 65 74 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp65-74 Coronavírus e interdição da mobilidade em tempos de crise http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169006 <p>Este trabalho tem como objetivo analisar os impactos da doença Covid 19 sobre os projetos migratórios de haitianos no Brasil, além de dialogar sobre a interdição da mobilidade durante a pandemia provocada pelo coronavírus. A análise está pautada em discussões teóricas da Antropologia e nos estudos contemporâneos sobre a mobilidade haitiana, bem como a partir das recomendações oficiais da Organização Mundial de Saúde. O material etnográfico que utilizamos neste artigo é uma amostra retirada da pesquisa que está em andamento, cujos dados foram levantados em campo pela autora para elaboração da Tese de doutoramento em Antropologia Social. Embora seja muito cedo para apresentar conclusões fechadas sobre a totalidade dos impactos que a pandemia de coronavírus e as atuais recomendações de interdição da mobilidade exerce sobre os projetos migratórios dos haitianos no Brasil, este artigo considera que houve descontinuidades e rupturas significativas nas trajetórias migratórias individuais dos haitianos e que reverberam sobre os projetos coletivos.</p> Roziane da Silva Jordão Sidney Antonio da Silva Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-06-17 2020-06-17 29 supl 75 84 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp75-84 Si salimos nos mata el virus, si nos quedamos nos mata el hambre http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170284 <p>Em29 de fevereiro de 2020 o governo do Equadoranunciouoprimeirocaso de infecção por coronavírusem uma paciente da cidade de Guayaquil. Um mês depois foi informado mais de 1859 casos e 57 óbitos. Em 29 de maio a cifra de pessoas infectadas chegou a cerca de quinzemil e mais de dois mil óbitos. Entre março e abril, segundo dados do Registro Civil, existiam mais de 13 mil casos de morte, evidenciando uma subnotificação que poderiacolocar Guayaquil como a cidade latino-americanacom maior número de infecção e morte per capta. O Equador retomou as políticas neoliberais de corteque diminuíram sistematicamente a capacidade de resposta e prioridades do Estado frente às crises sanitárias e pandemias, evidenciando comodoenças relacionadas à pobreza atingem e matam, em sua maioria, os mais despossuídos. Este artigo apresenta um relato etnográfico em tempos de pandemia, resenha as relações entre políticas neoliberais, desigualdade social e doença, narraos espaços por onde não só o vírus mata, mas também o estigma e a exclusão social.</p> Patricio Trujillo Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-08 2020-07-08 29 supl 85 93 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp85-93 A oleada venezuelana http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170455 <p>O artigo aborda os desafios colocados ao serviço de acolhimento de migrantes venezuelanos/as na cidade de Manaus, capital do Amazonas, no contexto da pandemia de Covid-19. Descrevemos brevemente sobre a presença desses migrantes na cidade, focando em uma ocupação que ganhou corpo no entorno da rodoviária. Trazemos também a resposta governamental, por meio de intervenção militar, que resulta no reordenamento do espaço. O intuito é problematizar os limites da resposta estatal e a acentuação das vulnerabilidades destes migrantes com a chegada do novo coronavírus (SARS-CoV-2), uma vez que o projeto executado não visava o afastamento social nem contemplava as condições de higiene pessoal preconizadas pelas autoridades sanitárias para a prevenção da doença. Os dados apresentados procedem de pesquisa de campo intermitente realizada desde agosto/2017 a maio/2020. Ao final, comentamos resumidamente como as condições de pesquisa, tal qual a vida dos/as interlocutores/as, foram impactadas pelas medidas de prevenção à pandemia.</p> Iana dos Santos Vasconcelos Sandro Martins Almeida Santos Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-31 2020-07-31 29 supl 94 104 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp94-104 Dalkurd FF http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169877 <p>Enquanto o mundo inteiro lida com o surgimento de uma pandemia, indivíduos e instituições começam a lidar com a perspectiva de mudanças tanto de curto quanto longo prazo para os seus planos. O que fora planejado por muitos durante janeiro e fevereiro de 2020, não mais seria possível durante os meses subsequentes. Logo, com a impossibilidade de se saber por quanto tempo a situação persistiria, ambos indivíduos e instituições mudariam seus planos, focando em quando a situação se reverteria para um grau de normalidade. Esse artigo busca brevemente entender e analisar as estratégias centradas em torno de um clube de futebol sueco fundado por indivíduos curdos em relação as consequências da crise do coronavírus no país. Ambos torcedores e funcionários do clube mudariam suas estratégias em relação ao primeiro ano que estaria atuando na sua nova cidade-sede de Uppsala. Argumenta-se que, apesar da crise ter mudado a estratégias e dificultado os seus planos de se tornarem uma instituição local, ela, de fato, não teria mudado seus planos de serem uma parte integrada da cidade, mas sim, teria provido ao clube com novas oportunidades de fazê-lo.</p> Tiago Duarte Dias Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-08 2020-07-08 29 supl 105 113 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp105-113 A conciliação não existe e as mães sabem disso http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170104 <p>Criar, educar, atender y cuidar a niños menores es una tarea que exige mucha dedicación y tiempo. Hacerlo en un periodo de crisis sanitaria como la del Covid-19 y al mismo tiempo tele-trabajar, se ha convertido en una hazaña para muchas madres. En este texto queremos compartir, en clave auto-etnográfica, la experiencia que estamos viviendo como madres trabajadoras durante el Coronavirus. Las semanas de confinamiento nos han confirmado las dificultades que tenemos las familias para hacer compatibles las dinámicas del trabajo asalariado con los cuidados. En más de 10 semanas de encierro, han variado nuestras emociones ante la atención infantil, el mantenimiento del hogar y el tele-trabajo. Estas vivencias, tal vez tan personales, al mismo tiempo son el reflejo de un modelo insostenible de conciliación, basado en arreglos individuales, precarios e injustos que las familias van ajustando dependiendo de sus posibilidades, sociales y económicas. Nuestra experiencia coincide con todas aquellas denuncias de cómo la pandemia ha multiplicado el trabajo de cuidados, y cómo esa desigualdad en la responsabilidad de la crianza afecta a nivel emocional, físico y social, y de manera contundente nuestra posición en el mercado de trabajo</p> Ana Lucía Hernández Cordero Paula González Granados Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-09 2020-07-09 29 supl 114 123 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp114-123 A arte de governar os dados em tempos de Covid-19 http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169907 <p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os números que têm narrado a difusão do Covid-19 no Brasil se tornaram parte do nosso cotidiano através da publicação diária de dados sobre a pandemia. Esses dados sugerem algumas reflexões sobre a política e a técnica implicadas a um só tempo nas práticas governamentais e nas práticas científicas. Este ensaio busca estender as reflexões do meu trabalho de mestrado sobre práticas de conhecimento estatais a um momento em que as estatísticas se tornaram uma das formas mais veiculadas de discurso. O que os dados sobre o Covid-19 nos informam a respeito dos modos de ver e produzir conhecimento das ciências de governo? Como ficam as relações entre Ciência e Estado quando personalidades do mundo da política passam a produzir narrativas divergentes a respeito de questões de saúde pública?</span></p> Barbara Moraes Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-25 2020-07-25 29 supl 124 134 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp124-134 Em tempos de pandemia, (des)oriente-se http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169400 <p>Diante da pandemia de Covid-19 que estamos vivendo, casos de racismo e xenofobia contra a população do leste asiático vieram à tona de forma mais significativa. Nesse sentido, este ensaio busca analisar algumas destas questões socioantropológicas presentes na atualidade. O texto se inicia a partir do problema da sopa de morcego a fim de evidenciar os pré-conceitos existentes no imaginário popular ocidental acerca dos hábitos alimentares na China. Para tanto, o Orientalismo é utilizado como chave teórica na abordagem sobre o engendramento histórico de discursos que criaram o corpo leste-asiático como inferior epidemiologicamente, isto é, a representação estereotipada que resultou na produção e reprodução de uma história única sobre os países e população que compõe essa região. Por fim, a partir desta abordagem, será possível compreender que os hábitos alimentares envolvem questões que extrapolam o simples ato de comer, se alimentar e/ou nutrir, pois também manifestam, implícita ou explicitamente, as relações de poder, neste caso, entre o Ocidente e o Oriente.</p> Lays Matias Mazoti Corrêa Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-11 2020-08-11 29 supl 135 143 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp135-143 Covid-19 e sustentabilidade da vida http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170348 <p>Explorações etnográficas anteriores à Covid-19 mostram que o trabalho voltado à inclusão social dos jovens e ao fortalecimento das famílias na educação e cuidado de seus filhos/as por meio de programas sociais se insere em tramas de relações de interdependência, nas que referentes territoriais põem em jogo compromissos interpessoais, morais e afetivos para a concretização dos objetivos programáticos, mesmo de maneiras em que estes são reconfigurados. Na conjuntura atual em que a pandemia reforçou as desigualdades históricas na Argentina e tornou ainda mais precária a vida nos bairros populares, o trabalho relacional realizado pelos/as referentes na construção do comum e da sustentabilidade da vida fica evidenciado na primeira página. Para esclarecer analiticamente o que está exposto nesse contexto de crise, a proposta é colocar em diálogo a literatura antropológica sobre o Estado e as políticas sociais com as discussões em torno da categoria de precariedade e reprodução social da vida. Apontando que esse diálogo só será proveitoso se incorporar centralmente a categoria de cuidado nos termos em que o feminismo crítico a definiu.</p> Florencia Paz Landeira Ana Cecilia Gaitán Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-11 2020-08-11 29 supl 144 152 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp144-152 A pandemia de COVID-19 e a conversão de idosos em “grupo de risco” http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169970 <p>No final de dezembro de 2019, autoridades internacionais são alertadas sobre a &nbsp;existência de &nbsp;um novo tipo de coronavírus, responsável por causar a doença COVID-19, que até meados de julho &nbsp;de 2020 infectou quase 13 milhões de pessoas e matou aproximadamente&nbsp; 600 mil em todo o mundo. Nesse período, o Brasil alcançou a triste marca de segundo país em número de contaminados, quase 2 milhões, e&nbsp; de mortes, mais de 75 mil. Com a definição de que se vive uma pandemia, os idosos, população com sessenta e mais anos, são reconhecidos como os mais afetados e, automaticamente, convertidos em “grupo de risco”. Nesse ensaio discuto como os estudos sobre envelhecimento são impactados pela conversão dos idosos em “grupo de risco” e reflito sobre &nbsp;desdobramentos do emprego dessa classificação na revalidação de imagens estereotipadas da velhice.</p> Simone Pereira da Costa Dourado Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-25 2020-07-25 29 supl 153 162 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp153-162 Entre uma nova epidemia e uma velha endemia http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170393 <p>Por um lado, o Brasil é apontado pela Organização Mundial da Saúde como único país do mundo a não ter eliminado a hanseníase como problema de saúde pública. Por outro lado, o país conta com um dos mais antigos e fortes movimentos sociais composto por sujeitos atingidos pela hanseníase do mundo. Nesse breve artigo, abordo algumas das ações e atividades desenvolvidas pelo movimento brasileiro de pessoas atingidas pela hanseníase ao longo dos três primeiros meses da pandemia do coronavírus. Ao fazê-lo, destacando a constituição de uma experiencia coletiva diante da pandemia e o fortalecimento de redes de colaboração com movimentos de sujeitos afetados de outros países.</p> Glaucia Maricato Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-11 2020-08-11 29 supl 163 172 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp163-172 Exemplos indígenas, o Covi-cho e algumas dicas contra o fim de mundo http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170378 <p>O objetivo do presente ensaio é por em diálogo certas perspectivas de fim de mundo narradas pelos indígenas Qom do Gran Chago argentino e os eventos decorridos da atual pandemia de COVID-19. Com o propósito de “amansar” o vírus, iremos nomeá-lo Covi-Cho e o situaremos na tensão entre “modelos” e “exemplos” que o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro propôs em texto de 2019. Como mostraremos, os fins de mundo para os coletivos indígenas na Argentina têm se apresentado vez e outra ao ritmo da criação da nação moderna. Contudo, eles permanecem lá, resistindo em seus devires. Em um contexto como o contemporâneo, onde os Estados ensaiam “modelos” para proteger a saúde dos cidadãos, nos perguntamos: podem estes “exemplos” indígenas nos ensinar algo sobre a presente crise sanitária global?</p> Celeste Medrano Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-22 2020-08-22 29 supl 173 181 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp173-181 Números, casos e (sub)notificações http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170491 <p>O objetivo artigo é colocar sob escrutínio antropológico a vigilância epidemiológica e seu boletim epidemiológico, entende-os enquanto tecnologias no sentido foucaultiano. Inscritos na lógica do biopoder, tais instrumentos seriam tecnologias de gestão da vida e da morte e, no contexto epidêmico, não devem ser lidos como um amontoado de dados, mas antes, como tecnologias discursivas produtora de sentidos sanitários, científicos, sociais e morais. Para tanto, lança-se mão das contribuições da antropologia e história da saúde, da ciência e das práticas de Estado com o objetivo de entender a vigilância epidemiológica do COVID-19 em toda sua complexidade.</p> Jonatan Sacramento Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-25 2020-07-25 29 supl 182 193 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp182-193 Notas sobre as escolas de samba e a pandemia do novo coronavírus http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170236 <p>Este texto traz um relato a quatro mãos sobre os efeitos em curso da pandemia do novo coronavírus no ciclo anual de produção do carnaval carioca. Depois de apresentar algumas ações de enfrentamento à crise econômica e sanitária articuladas pelas escolas de samba junto às suas comunidades, veremos como as atividades recreativas estão sendo adaptadas ao contexto de isolamento social, destacando-se a manutenção do calendário carnavalesco pela virtualização de eventos e performances. Por fim, discutiremos como o mundo do samba está construindo e legitimando o debate sobre quando e como acontecerão os próximos desfiles. Com isso, não pretendemos inventariar desafios e propor soluções para o carnaval em tempos críticos, mas relatar como as escolas e os sambistas estão atravessando este período liminar, e o que isso nos permite pensar sobre essa expressão singular da cultura popular.</p> Lucas Bártolo João Gustavo Martins Melo de Sousa Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-24 2020-08-24 29 supl 194 203 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp194-203 Emoções e relações em tempos de COVID-19 http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170419 <p>A pandemia global da COVID-19 e seus derivados na vida social, política e econômica intensificou algumas das desigualdades e vulnerabilidades existentes, ao mesmo tempo em que levou a novas formas de viver o cotidiano, marcadas principalmente pelo confinamento. Nossa pesquisa tem como objetivo analisar, a partir do prisma da antropologia médica, os efeitos emocionais e relacionais da nova situação e sua evolução durante os próximos meses. Para isso, tomamos como ponto de partida a crescente centralidade das redes sociais e as novas tecnologias de comunicação num contexto de distância social e/ou física. Nos baseamos nessas tecnologias e em suas potencialidades metodológicas para coletar dados sobre as condições e efeitos do confinamento e da crise sanitária. Com esse objetivo estamos coletando dados qualitativos e quantitativos através de um questionário online que combina perguntas abertas com perguntas de escolha múltipla. Alguns resultados preliminares são apresentados neste texto.</p> Elisa Alegre Agís Natalia Carceller-Maicas Xavier Cela Bertran Àngel Martínez-Hernáez Stella Evangelidou Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-27 2020-08-27 29 supl 204 215 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp204-215 Etnografar e intervir http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170350 <p>Etnografias engajadas não são novidade para a antropologia. Em tempos de pandemia de COVID-19, em que o exercício etnográfico por vezes se torna proibitivo, outras formas de atuar apresentam-se aos antropólogos, cujo ofício pressupõe sua inserção em redes de relações nativas. O trânsito por essas redes, empreendidas etnograficamente, torna-se útil para endereçar problemas apresentados por interlocutores de pesquisa em situação de vulnerabilidade. Neste breve relato, apresento minha experiência de antropologia engajada junto a imigrantes e refugiados na cidade de São Paulo, evidenciando, em especial, a experiência junto a migrantes vivendo em Guaianases, e a atuação na Rede de Cuidados em Saúde para Imigrantes e Refugiados. Defendo, por fim, que a etnografia é uma atividade politicamente implicada, e endereçar problemas apresentados por interlocutores de pesquisa não são filigranas do trabalho do antropólogo, e localizam-no nesta rede de relações em que ele se insere, evidenciando seu agenciamento pelos sujeitos de pesquisa.</p> Alexandre Branco Pereira Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-08-27 2020-08-27 29 supl 216 224 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp216-224 Dos souvenirs às máscaras de proteção http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170397 <p>O presente relato tem por objetivo contribuir com as discussões acerca do impacto da covid-19 em Cabo Verde, país-arquipélago africano. Sendo os fluxos constituidores dessa jovem nação, parto do <em>boom</em> do turismo no país para analisar as quebras de expectativas e mudanças ocasionadas pela pandemia do coronavírus, uma vez que este passou a representar 20% do PIB nacional ao longo da última década. Em consequência disso, abordo a situação de um grupo específico (as mulheres que anteriormente trabalhavam com a produção e venda de artesanatos para turistas) para explorar, do ponto de vista da vida prática, as mudanças provocadas pela pandemia nas suas vidas.</p> Vinícius Venancio Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-06 2020-09-06 29 supl 225 234 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp225-234 Notas sobre pandemia e saúde quilombola http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170436 <p>No Brasil, os povos originários e a população negra, especialmente as comunidades quilombolas, vêm sofrendo acentuadamente por serem grupos vulnerabilizados diante da conjuntura produzida pela pandemia de COVID-19, ocupando posições alarmantes nos índices de mortalidade pela doença. Este artigo tem como objetivo central refletir os impactos da pandemia sobre as comunidades quilombolas no estado do Ceará, traçando um panorama a partir da realidade vivida em diferentes regiões cearenses e que partem especificamente do Quilombo Sítio Veiga (Sertão Central), Quilombo de Alto Alegre (Região Metropolitana) e do Quilombo do Cumbe (Litoral Leste). Como pressupostos metodológicos, alinhavamos em sua construção os relatos etnográficos, frutos das vivências <em>in loco</em> dos próprios autores, que também são pesquisadores da temática, lideranças e moradores das respectivas comunidades quilombolas.</p> Ana Maria Eugênio da Silva Antonio Jeovane da Silva Ferreira João Luis Joventino do Nascimento Francisco Levy Freitas Rafael Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-10 2020-09-10 29 supl 235 243 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp235-243 O isolamento é possível? O caso de um povo de recente contato do Vale do Javari http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170136 <p>No contexto da pandemia da COVID-19, medidas preventivas de “distanciamento social” ou “isolamento” têm sido aclamadas como a principal forma de prevenção e contingenciamento do novo coronavírus. Este relato, ancorado em trabalho de campo realizado na Terra Indígena Vale do Javari, dedica-se à reflexão das possibilidades de isolamento entre os Korubo, considerados pela Fundação Nacional do Índio como um povo de contato recente. O esforço de reflexão perpassa o conceito de isolamento, as relações institucionais, e os deslocamentos envolvidos no atendimento à saúde dos recém-contatados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena.</p> Juliana Oliveira Silva Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-11 2020-09-11 29 supl 244 254 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp244-254 O segundo tempo da exclusão http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170056 <p>No texto apresentamos algumas reflexões que denunciam múltiplos processos de vulnerabilização extrema em que se encontram famílias trabalhadoras de uma moradia popular na região central do Rio de Janeiro, agravados pela pandemia da COVID-19. Valendo-nos de conversas por telefones e whats app e de informações coligidas nas redes sociais, chamamos atenção para os processos de produção da precariedade pelo estado e a imposição de uma experiência de vida pautada no isolamento dentro do isolamento, pela ausência de políticas sociais regulares e de cobertura suficiente que transformam os sujeitos beneficiários em pacientes do estado em oposição a cidadãos ativos.</p> Priscila Tavares dos Santos Michelle Lima Domingues Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-11 2020-09-11 29 supl 255 265 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp255-265 O extraordinário do rio São Francisco em meio às incertezas do Coronavírus http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169885 <p>A partir do trabalho de campo realizado entre os ribeirinhos do município de Ponto Chique, no norte de Minas Gerais, busca-se refletir sobre como as incertezas constituem um modo de ser ribeirinho e nos ajuda a pensar sobre esse momento em que vivemos em estado de suspensão pelo coronavírus. As dinâmicas das águas impõem um modo de estar no mundo cercado de ambiguidades e a presença do vírus torna-se mais um elemento que integra a rede de sociabilidade ribeirinha. Opondo-se a uma ideia de controle da natureza, Olímpio e seus companheiros de vazante respeitam a natureza de cada ser e nos ensinam a interagir e nos relacionar com as diferentes espécies que habitam os territórios.</p> Pâmilla Vilas Boas Costa Ribeiro Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-11 2020-09-11 29 supl 266 277 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp266-277 Palestinos migrantes e refugiados e o fechamento de fronteiras na pandemia COVID-19 http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170458 <p>Essa análise tem como objetivo demonstrar em que medida o fechamento das fronteiras e a escassez de acesso a medidas como regularização dos migrantes serão prejudiciais para a população palestina refugiada e de migrantes internacionais. Além das questões relacionadas ao refúgio, problematizarei a nova restrição de mobilidade perante o fechamento de fronteiras e, ainda mais, vulnerabilidade mediante situação de pandemia devido ao COVID-19. Para tal, trabalharei, a partir dos dados de campo e etnografia realizada em Santiago, Chile, problemáticas acerca da situação de refúgio em um contexto particular de pandemia.</p> Barbara Caramuru Teles Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-14 2020-09-14 29 supl 278 288 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp278-288 Experimentos etnográficos em redes e varandas http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170445 <p>Neste artigo, com foco em experimentos etnográficos relacionados à religião em tempos de Covid-19, compartilhamos reflexões preliminares sobre arranjos e conciliações que produzem a religião vivida. Foram dois os contextos de obtenção do material apresentado: de um lado, as redes sociais e aplicativos de mensagens, recursos previamente utilizados em pesquisas etnográficas realizadas em Curitiba e no Rio de Janeiro, e, de outro, as varandas em um condomínio no subúrbio carioca. Em comum aos campos de pesquisa das três autoras destaca-se a multiplicação de práticas e a intensificação de celebrações religiosas durante a pandemia. Os experimentos demonstram, assim, possibilidades de continuidade das pesquisas antropológicas na pandemia e evidenciam que a religião próxima ao cotidiano, além de fornecer imagens e metáforas para as advertências quanto aos potenciais riscos à saúde causadas pelo Covid-19, também tem sido frequentemente mobilizada a favor da organização da experiência coletiva de quarentena, regulando horários, ativando redes de solidariedade, evocando lembranças sobre as comunidades de fé, criando licenças para escapar da rigidez do isolamento e buscando estabelecer uma ética em nome do bem comum</p> Caroline Martins de Melo Bottino Eva Lenita Scheliga Renata de Castro Menezes Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-17 2020-09-17 29 supl 289 301 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp289-301 As adversidades da etnografia antropológica no contexto prisional http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170474 <p>O risco de contágio biológico da pandemia do novo coronavírus apresentou desafios imprevistos para o trabalho de campo. Este artigo baseia-se nas reflexões do meu campo etnográfico no sistema penitenciário do Ceará, no Brasil, buscando acessar as relações e os efeitos do crescimento do arquipélago penitenciário. Um dos objetivos é contribuir para estudos comparativos, considerando que cada unidade federativa apresenta diferenças substanciais nos procedimentos administrativos de seu sistema prisional local. O relato foi escrito devido à necessidade de discutir os contextos das prisões, mas, também, refletir sobre a etnografia antropológica e a incerteza sobre a vida e a morte diante de realidades sufocantes.</p> Italo Barbosa Lima Siqueira Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-17 2020-09-17 29 supl 302 309 Breves notas sobre o medo e o mundo como nave http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/169577 <p>No contexto da pandemia do Covid-19, os medos urgem e ressaltam ainda mais as desigualdades históricas e estruturais. Este ensaio trata dos medos e os coloca em uma direção relacional que aponta para as vulnerabilidades e precariedades que também constituem tais emoções. Diante disso argumento sobre como os modelos que valorizam um hiperindivíduo não contribuem para políticas de eficiência em tempos pandêmicos. Por fim, retomo as ontologias indígenas como um caminho de renovação frente ao modelo Ocidental que insiste em produzir indivíduos separados do mundo.</p> Alberto Luiz de Andrade Neto Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-09-17 2020-09-17 29 supl 310 318 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp310-318 Da guerra às drogas à guerra ao vírus: necropolítica e resistência na Cracolândia http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170456 <p>O artigo tem por objetivo analisar as formas de resistência presentes na Cracolândia paulistana diante da pandemia da Covid-19 e de suas consequências. Para tanto, nos valemos de documentos públicos e artigos acadêmicos sobre os temas abordados no sentido de descrever as ações de resistência, por parte de militantes e outros frequentadores daquele território. A análise dessas ações, ante a repressão policial e o ataque midiático à Cracolândia, foi empreendida tendo por referencial teórico as ideias de Achille Mbembe. Vimos como, apesar de marcados pela necropolítica, os usuários de crack, com militantes de diversas entidades e coletivos, negam diariamente, por vezes de modo festivo, o necropoder. Resistem por suas vidas com táticas de contenção da letalidade materializadas em oficinas de autocuidado, distribuição de alimentos e iniciativas de ajuda mútua.</p> Ygor Diego Delgado Alves Pedro Paulo Gomes Pereira Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-10-02 2020-10-02 29 supl 319 328 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp319-328 Quando duas epidemias se encontram http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/170360 <p align="justify">Este artigo analisa os impactos da COVID-19 na vida das mulheres e crianças atingidas pelo Zika. Embora a emergência em Zika tenha finalizado, estas mulheres precisam lidar com uma “eterna emergência” para garantir sua sobrevivência e dos filhos. A partir de relatos enviados pelas mulheres construímos um panorama sobre a situação destas e das crianças em tempos de COVID-19, aprofundando questões como a dificuldade em fazer isolamento; efeitos da suspensão das terapias de reabilitação nas crianças; e a morte de crianças. Destacamos ainda que a Antropologia contribui para entendermos que epidemias globais são vivenciadas distintamente por grupos específicos, como nas mulheres e seus filhos com Síndrome Congênita do Zika Vírus que foram expostos à ansiedade, angústia, incerteza, medo, empobrecimento, adoecimento e morte em duas epidemias em menos de cinco anos.</p> Silvana Sobreira de Matos Ana Cláudia Rodrigues da Silva. Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-10-05 2020-10-05 29 supl 329 340 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp329-340 Tempo lento http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/172825 <p>O ensaio retrata a vida cotidiana em Bercine, parte sul de Bucareste, Romênia, durante o confinamento. As imagens apresentadas aqui fazem parte das minhas observações da vida à frente. Pessoas que são meus vizinhos, conhecidos e com quem compartilhei minha vida também. Decidi, então, apresentar as fotos em forma de quadro fotográfico, a fim de reunir experiências compartilhadas. Este ensaio não é um estudo da vida cotidiana em quarentena, ou de como a vida está em um determinado período de nosso tempo. Pode ser um efeito, mas não a razão. Em vez disso, tenta retratar a vida em pequena escala. Essa pequena escala é composta de rotinas diárias e experiências de limpeza, conversação, espera e sentimentos de solidariedade, solidão, medo e, às vezes, esperança. É a idéia da experiência compartilhada que transforma o silêncio e a espera não como uma experiência singular, mas como um espaço comum, como é o cotidiano de um edifício.</p> Valentin Gatlan Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) 2020-07-27 2020-07-27 29 supl 16 24 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp16-24 Para que serve a antropologia (em tempos de Covid-19)? http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/175276 Thiago Lima Oliveira Lennon Oliveira Matos Marina Ghirotto Santos Bianca van Steen Mello Laurino Aline Ferreira Oliveira Aline Regitano Copyright (c) 2020 Cadernos de Campo (São Paulo 1991) http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2020-09-30 2020-09-30 29 supl 1 15 10.11606/issn.2316-9133.v29isuplp1-15