O retrato literário em duas Novelas Ejemplares de Cervantes: El amante liberal e La española inglesa

  • Alberto Rodríguez

Resumo

As novelas ejemplares “El amante liberal” e “La española inglesa” apresentam a peculiar visão que Cervantes tinha do retrato literário. Em ambas novelas, a imagem é mutante. Não há nada estáticos porque tudo participa do fluxo constante da vida. Em “El amante liberal”, o retrato de Leonisa vai ganhando profundidade, ainda que sua indumentária se mantenha inalterável durante a novela. Com cada nova aparição da jovem, os adornos que leva perdem importância. Deixamos o cosmético e superficial de lado para descobrir planos internos que antes não vislumbrávamos. Em outras palavras, a imagem evoluciona, e se reconstrói ao longo da trama. O mesmo ocorre com Ricardo, pois sofre transformações que o convertem em pessoa muito distinta ao final. Em “La española inglesa”, a reconstituição se pode apalpar na mudança física de Isabela, que começa com sua bela aparência, passa a uma horrenda fealdade, e termina recuperando sua beleza primeira. Depois da ambiguidade inicial de sua figura, Ricaredo inicia uma lenta evolução até alcançar uma forma definida e clara até o final. Sua imagem ambígua se reconstitui em uma imagem bem definida. O narrador retratista inicia seus retratos com sobriedade e concisão, com um claro impulso mimético. Não obstante, sua presença muda com os desaforos imaginativos de seus retratos. Ao final, o retrato literário cervantino mostra o devir incansável da vida e das mutações inevitáveis do tempo; mas o processo de reconstituição mostra a essência da pessoa em meio às vicissitudes, às mudanças e às peripécias da existência.

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Publicado
2013-12-21
Como Citar
Rodríguez, A. (2013). O retrato literário em duas Novelas Ejemplares de Cervantes: El amante liberal e La española inglesa. Caracol, 1(6), 40-63. https://doi.org/10.11606/issn.2317-9651.v1i6p40-63