AMBIVALÊNCIA DA POLÍTICA NO PRÓLOGO D’A CIDADE DE DEUS, DE AGOSTINHO

  • Luiz Marcos da Silva Filho
Palavras-chave: Política, Moral, História, Vontade

Resumo

No prólogo d’A cidade de Deus, Agostinho apresenta ambivalente concepção de política, pois a política adquire ou positividade ou negatividade conforme a identidade ou a contradição de uma civitas ou res publica consigo mesma. Mais precisamente, a cidade celeste, que guarda dois modos de existência, um na história, outro na eternidade, conquista progressivamente identidade na medida em que na história há processo coerente dela em direção a seu modo de existência por excelência, na eternidade; já a cidade terrena existe na história em contradição e conflito, ao tornar-se escrava da própria libido de dominação, de maneira que sua história é de progressiva danação e perda de ser. Uma cidade guarda, pois, estatuto político a despeito de sua orientação ou de sua desorientação moral. Além do mais, nos limites do prólogo, Agostinho explicita que o fundamento da política não é nem a natureza, nem a razão.

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Biografia do Autor

Luiz Marcos da Silva Filho

Doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo.

Foi Professor Adjunto de História da Filosofia Medieval da Universidade Federal de Lavras, entre 2011 e 2016.

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Publicado
2017-12-28
Como Citar
Silva Filho, L. (2017). AMBIVALÊNCIA DA POLÍTICA NO PRÓLOGO D’A CIDADE DE DEUS, DE AGOSTINHO. Cadernos De Ética E Filosofia Política, 2(31), 49-62. Recuperado de http://www.revistas.usp.br/cefp/article/view/118209
Seção
Artigos