Elogio à masturbação: materialismo e saúde em Diderot

  • Paulo Jonas de Lima Piva Universidade Federal do ABC (UFABC). Centro de Ciências Naturais e Humanas (CCNH)
Palavras-chave: Corpo, Masturbação, Materialismo, Hedonismo, Eudemonismo

Resumo

Partindo da premissa ontológica de que a realidade é única e essencialmente matéria e que o ser humano é tão-somente corpo, o filósofo francês Denis Diderot (1713-1784) desenvolveu, sobretudo no decorrer da sua maturidade filosófica, uma ética hedonista, baseada na moderação dos prazeres e na preocupação com a utilidade pública. Simultaneamente eudemonista, essa perspectiva materialista entende a felicidade como um estado psicofisiológico, mais precisamente como uma necessidade orgânica que depende da saúde do corpo que constitui e que consiste no próprio indivíduo. É quando, na sua Continuação da conversa, de 1769, Diderot se faz médico e, de forma inusitada, provoca uma reflexão de alcance ético sobre a masturbação. É desta reflexão filosoficamente heterodoxa e dos seus desdobramentos éticos que trata este artigo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ANÔNIMO DO SÉCULO XVIII. Teresa filósofa. Porto Alegre: L&PM, 1991.

ANONYME. “Manstupration ou Manustupration (Médec. Pathol.)”. In: D’ALEMBERT, J. R; DIDEROT, D. Encyclopédie, ou Dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers. Tome 10. Paris, 1765, pp. 51-54. Disponível em: <https://fr.wikisource.org/wiki/L%E2%80%99Encyclop%C3%A9die/1re_%C3%A9dition/MANSTUPRATION_ou_MANUSTUPRATION>. Acessado em 29 de dezembro de 2016.

DARNTON, R. Os best-sellers proibidos da França pré-revolucionária. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

DIDEROT, D. Éléments de physiologie. Paris: Honoré Champion, 2005.

DIDEROT, D. Jóias indiscretas. Rio de Janeiro: Global, 1986.

DIDEROT, D. Le rêve de D’Alembert. Paris: GF Flammarion, 2002.

DIDEROT, D. Obras VII. A religiosa. São Paulo: Perspectiva, 2009.

DIDEROT, D. “Observações sobre o escrito do Sr. Hemsterhuis intitulado Carta sobre o homem e suas relações, publicado em Haia no ano de 1772”. In: HEMSTERHUIS, F. Sobre o homem e suas relações. São Paulo: Iluminuras, 2000.

DIDEROT, D. “Plan d’une université pour le gouvernement de Russie ou D’une éducation publique dans toutes les sciences”. In: Oeuvres complètes de Diderot. Tome III. Édition établie par J. Assézat. Paris: Garnier Frères, 1875.

DIDEROT, D. “Réfutation suivie de l’ouvrage d’Helvétius intitulé L’Homme”. In: Oeuvres. Tome I: Philosophie. Édition établie par Laurent Versini. Paris: Robert Laffont, 1994.

DIDEROT, D. Supplément au voyage de Bougainville. Paris: Gallimard, 2002.

DIDEROT; DUMARSAIS; VOLTAIRE. “Filósofo”. In: D’ALEMBERT, J. R; DIDEROT, D. Enciclopédia, ou Dicionário razoado das ciências, das artes e dos ofícios. Volume 2. São Paulo: Editora Unesp, 2015.

DIÔGENES LAÊRTIOS. Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1977.

FONTENAY, E. Diderot ou le matérialisme enchanté. Paris: Grasset, 1982.

GOULEMOT, J.M. Esses livros que se leem com uma só mão: leitura e leitores de livros pornográficos no século XVIII. São Paulo: Discurso Editorial, 2000.

MATTOS, L. F. F. “O leitor lascivo”. In: Jornal de resenhas. Suplemento do jornal Folha de São Paulo. São Paulo, 12 de maio de 2001.

MAY, G. Diderot et “La Religieuse”. Paris: PUF, 1954.

Publicado
2018-12-20
Como Citar
Piva, P. (2018). Elogio à masturbação: materialismo e saúde em Diderot. Cadernos De Ética E Filosofia Política, 2(33), 65-78. https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v2i33p65-78
Seção
Artigos