A linguagem metafórica da música na constituição do ethos

Autores

  • Jacira Freitas

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v1i36p105-124

Palavras-chave:

Rousseau, Música, Linguagem, Ethos

Resumo

O autor da Carta sobre a Música Francesa não é comumente estudado, entre nós, a partir do interesse filosófico suscitado pela música. No entanto, essa área jamais deixou de fazer parte de suas preocupações intelectuais. Em meados do século XX, a tradição crítica de estudos rousseaunianos traz à luz alguns dos escritos sobre a música e recoloca o problema da inserção da música no conjunto da obra. A discussão a nortear o texto aqui apresentado se propõe a determinar se, e em que medida, o pensamento de Platão sobre a música poderia ter sido uma fonte de inspiração para a elaboração da noção de música presente no pensamento de J.-J. Rousseau. Minha hipótese é que o pensamento de Rousseau sobre a música está impregnado pela visão de mundo grega. Nele, a noção de música adquire uma configuração muito próxima àquela da mousiké dos antigos, já que não se restringe a um mero fenômeno perceptível pela audição, mas se define por sua articulação com o ethos, transmutando-se num princípio capaz de dar sustentação tanto às suas teorias musicais quanto ético-políticas.

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Publicado

2020-06-28

Como Citar

Freitas, J. (2020). A linguagem metafórica da música na constituição do ethos. Cadernos De Ética E Filosofia Política, 1(36), 105-124. https://doi.org/10.11606/issn.1517-0128.v1i36p105-124

Edição

Seção

Dossiê - Leituras do Iluminismo