Velho Chico: narrar para audiências desatentas – dilemas e desafios

  • Antonio Helio Junqueira Universidade Anhembi Morumbi e Escola Superior de Propaganda e Marketing
  • Maria Aparecida Baccega Universidade de São Paulo e Escola Superior de Propaganda e Marketing
Palavras-chave: comunicação, educação, teleficção, recepção, imagem

Resumo

O viver contemporâneo — imbricado em redes de hiperconexão e exacerbada midiatização das relações sociais e das intimidades — introduz e estabelece novos modos de convivência entre audiência e produtos culturais. Aí, a telenovela, principal produto ficcional de consumo massivo no Brasil, molda-se a novos modos do ver: desatentos e multifocais. Aviltam-se a imagem e o silêncio, ao mesmo tempo que se impõem tensos desafios às narrativas, em sua experimentação das possibilidades sociais da visão e da transformação social da realidade vivida. O presente artigo discute a recente experiência da exibição, no Brasil, da telenovela Velho Chico, pela Rede Globo de Televisão, bem como alguns de seus desdobramentos junto à audiência, enquanto proposta estética e narrativa profundamente inovadora frente a produtos culturais congêneres.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Antonio Helio Junqueira, Universidade Anhembi Morumbi e Escola Superior de Propaganda e Marketing

Pós-doutorando em Comunicação e Práticas de Consumo (CNPq-ESPM). Doutor em Ciências da Comunicação (ECA-USP); mestre em Comunicação e Práticas de Consumo (ESPM); professor e pesquisador da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), da USP (Escola do Futuro/Observatório da Cultura Digital) e da ESPM.

Maria Aparecida Baccega, Universidade de São Paulo e Escola Superior de Propaganda e Marketing

Professora livre-docente pela Universidade de São Paulo (USP). Decana, docente e pesquisadora do PPGCOM-ESPM, São Paulo, coordenadora do Grupo CNPq de Pesquisa em Comunicação, Educação e Consumo: as interfaces na teleficção (ESPM). 

Referências

BACCEGA, M. A. Consumindo e vivendo a vida: telenovela, consumo e seus discursos. In: LOPES, M. I. V. de (Org.). Ficção televisiva transmidiática no Brasil: plataformas, convergências, comunidades virtuais. Porto Alegre: Sulina, 2011.

____. Narrativa ficcional de televisão: encontro com temas sociais, Comunicação &Educação, n.26, p.7-16, São Paulo, 2003.

____. Ressignificação e atualização das categorias de análise da “ficção impressa” como um dos caminhos de estudo da narrativa teleficcional. In: BACCEGA, M. A.; OROFINO, M. I. R. BACCEGA, M. A. (Orgs.). Consumindo e vivendo a vida: telenovela, consumo e seus discursos. São Paulo: PPGCOM. ESPM, Intermeios, 2013. p. 27-48.

BARTHES, R. Elementos de semiologia. São Paulo: Cultrix, 1971.

ECO, U. Apocalípticos e integrados. São Paulo: Perspectiva, 1979.

HELLER, A. O cotidiano e a História. 6 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.

JAMESON, F. Espaço e imagem: teorias do pós-moderno e outros ensaios. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1994.

JENKINS, h. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008.

JOST, F. Novos comportamentos para antigas mídias ou antigos comportamentos para novas mídias? MATRIZes, v. 4, n. 2. São Paulo: USP, 2011.

JUNQUEIRA, A.H. Imaginário e memória na tessitura narrativa da telenovela “Velho Chico”: as mediações do cotidiano, Anais do XXXIX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - Intercom, São Paulo, 5 a 9 de setembro de 2016.

LIMA, C. A. R.; CALAZANS, J. H. C. A gente se vê pela rede: cultura de fãs e participação online na minissérie #Felizesparasempre, Contemporânea Comunicação e Cultura, v. 14, n. 2, p.171-192, UFBA, 2016.

LOPES, M. I. V. Telenovela brasileira: uma narrativa sobre a nação, Comunicação & Educação, São Paulo, ECA/USP, ano IX, n.26, p. 17-34. jan./abr.2003.

____. Telenovela como recurso comunicativo, MATRIZes, ano 3, n.1, ago./dez. , p. 21-47. 2009

PROULX, M.; SHEPATIN, S. Social TV: How marketers can reach and engage audiences by connecting television to the web, social media, and mobile. New Jersey: John Wiley and Sons, 2012.

SARLO, B. Cenas da vida pós-moderna: intelectuais, arte e videocultura na Argentina. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2004.

SUMMA,G. Social TV: the future of televison in the internet age. [ TV Social: o futuro da televisão na era da internte]. Milan: IT Sloan School of Management, 2011.

Publicado
2017-06-06
Como Citar
Junqueira, A., & Baccega, M. (2017). Velho Chico: narrar para audiências desatentas – dilemas e desafios. Comunicação & Educação, 22(1), 75-83. https://doi.org/10.11606/issn.2316-9125.v22i1p75-83