Estratégias de defesa contra o sofrimento no trabalho de docentes da pós-graduação stricto sensu

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-0490.v22i2p217-234

Palavras-chave:

estratégias de defesa, sofrimento psíquico, docentes, saúde do trabalhador

Resumo

O estudo objetivou identificar as estratégias de defesa contra o sofrimento no trabalho desenvolvidas por docentes da pós-graduação stricto sensu. Trata-se de pesquisa descritiva, com abordagem qualitativa. Participaram 47 docentes de uma universidade do Sul do Brasil, que responderam a um questionário baseado no Inventário sobre Trabalho e Riscos de Adoecimento, sendo que dois representantes de cada um dos sete programas de pós-graduação stricto sensu da universidade também foram entrevistados. A investigação foi aprovada no Comitê de Ética da instituição e a coleta de dados ocorreu entre outubro de 2018 e março de 2019. Os docentes utilizam, predominantemente, estratégias de defesa individuais, dentre elas a psicoterapia, a religiosidade/espiritualidade e o apoio da família, seguidas, timidamente, de estratégias coletivas, estas centradas na boa relação com os colegas de trabalho e discentes, que são responsáveis por ressignificar as práticas laborais, contudo requerem mais investimento das instituições. Tais achados geram preocupação, uma vez que se entende que é na coletividade que ocorre a cooperação, a relação empática, a dialogicidade e a transformação da realidade laboral.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Chancarlyne Vivian, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Psicóloga. Mestra em Ciências da Saúde.

Letícia de Lima Trindade, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem, graduação em Enfermagem e Mestrado Profissional em Enfermagem na APS da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), e do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (Mestrado e Doutorado) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ).

Ricardo Rezer, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Doutor em Educação Física. Professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (Mestrado e Doutorado) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ).

Carine Vendruscolo, Universidade do Estado de Santa Catarina

Doutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem, graduação em Enfermagem e Mestrado Profissional em Enfermagem na APS da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Sinval Adalberto Rodrigues Junior, Universidade Comunitária da Região de Chapecó

Doutor em odontologia. Professor do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde (Mestrado e Doutorado) da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (UNOCHAPECÓ).

Referências

Alves, V. L. P., & Lima, D. D. (2016). Percepção e enfrentamento do psicossomático na relação médico-paciente. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 32(3), 1-9.

Amaral, G. A., Borges, A. L., & Juiz, A. P. M. (2017). Organização do trabalho, prazer e sofrimento de docentes públicos federais. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 20(1), 15-28.

American Psychological Association (2010). Dicionário de psicologia. Porto Alegre: Artmed.

Araújo, M. N. A., Rodrigues, C. C. F. M., Dantas, M. S. P., Santos, N. P., Alves, K. Y. A., & Santos, V. E. P. (2016). Estresse no cotidiano universitário: estratégias de enfrentamento de docentes da saúde. Revista Online de Pesquisa, 8(4), 4956-4964.

Araújo, T. M., Pinho, P. S., & Masson, M. L. V. (2019). Trabalho de professores e saúde no Brasil: reflexões sobre a história da pesquisa, avanços e desafios. Cadernos de Saúde Pública, 35(suppl. 1), e00087318.

Assunção, A. A., & Abreu, M. N. S. (2019). Pressão para o trabalho, estado de saúde e condições de trabalho dos professores da educação básica no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 35(suppl. 1), e00169517.

Baptista, M. N., Soares, T. F. P., Raad, A. J., & Santos, L. M. (2019). Burnout, estresse, depressão e suporte laboral em professores universitários. Revista Psicologia: Organização e Trabalho, 19(1), 564-570.

Barbosa, R. E. C., & Fonseca, G. C. (2019). Prevalência de tabagismo entre professores da Educação Básica no Brasil, 2016. Cadernos de Saúde Pública, 35(suppl. 1), e00180217.

Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo (edição revista e ampliada). São Paulo: Edições 70.

Bataier, V. S., Pegorete, T. R., Lawall, P. Z. M., & Calvacanti, P. P. (2017). Automedicação entre docentes de nível superior. Revista Enfermagem Atual, 81(1), 11-18.

Bauman, Z. (2001). Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar.

Borges, M. S., Santos, M. B. C., & Pinheiro, T. G. (2015). Representações sociais sobre religião e espiritualidade. Revista Brasileira de Enfermagem, 68(4), 609-616.

Bueno, M. D. P. N., Bravo, J. F., Feraudy, N. Y., Lima, P. P., & Takayanagui, A. M. M. (2011). Conhecimento sobre o fenômeno das drogas entre estudantes e professores da Faculdade de Medicina da Universidade de San Andrés, La Paz, Bolívia. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 19(1), 722-729.

Cano, D. S., & Moré, C. L. O. O. (2016). Estratégias de enfrentamento psicológico de médicos oncologistas clínicos. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 32(3), 1-10.

Carlotto, M. S., & Câmara, S. G. (2008). Síndrome de burnout e estratégias de enfrentamento em professores de escolas públicas e privadas. Psicologia da Educação, 26(1), 29-46.

Cirani, C. B. S., Campanario, M. A., & Silva, H. H. M. (2015). A evolução do ensino da pós-graduação senso estrito no Brasil: análise exploratória e proposições para pesquisa. Avalição, 20(1), 163-187.

Codo, W. (2006). Educação: carinho e trabalho. Petrópolis, RJ: Vozes.

Capes (2019). http://www.capes.gov.br/estatísticas

Cupertino, V., Garcia, F. C., & Honório, L. C. (2015). Prazer e sofrimento na prática docente no ensino superior: estudo de caso em uma IFES mineira. Trabalho & Educação, 23(3), 101-116.

Dalcin, L., & Carlotto, M. S. (2018). Avaliação de efeito de uma intervenção para a síndrome de burnout em professores. Psicologia Escolar e Educacional, 22(1), 141-150.

Davoglio, T. R., Spagnolo, C., & Santos, B. S. (2017). Motivação para a permanência na profissão: a percepção dos docentes universitários. Revista Psicologia Escolar e Educacional, 21(2), 175-182.

Dejours, C. (2007). A banalização da injustiça social. Rio de Janeiro: FGV.

Dejours, C. (2008). Avaliação do trabalho submetido à prova do real: crítica aos fundamentos da avaliação. In L. I. Sznelwar, & F. L. Mascia (Orgs.), Trabalho, tecnologia e organização (vol. 2). São Paulo: Blucher.

Dejours, C. (2011). A carga psíquica do trabalho. In C. Dejours, E. Abdoucheli, & C. Jayet (Orgs.), Psicodinâmica do trabalho: contribuições da escola dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas.

Dejours, C. (2012). Psicodinâmica do trabalho e teoria da sedução. Psicologia em Estudo, 17(3), 363-371.

Dejours, C. (2015). A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. São Paulo: Cortez.

Dejours, C. (2017). Psicodinâmica do trabalho: casos clínicos. Porto Alegre: Dublinense.

Dejours, C., Deranty, J. P., Renault, E., & Smith, N. (2018). The return of work in critical theory: self, society, politics. New York: Columbia University Press.

Diehl, L., & Marin, A. H. (2016). Adoecimento mental em professores brasileiros: revisão sistemática da literatura. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 7(2), 64-85.

Facci, M. G. D., Urt, S. C., & Barros, A. T. F. (2018). Professor readaptado: a precarização do trabalho docente e o adoecimento. Psicologia Escolar e Educacional, 22(2), 281-290.

Fernández, R. A., Navarro, E. M., & Fierro, A. A. (2018). Buen o buena docente de universidad: Perspectiva del personal directivo de carrera y de los mismos grupos docentes. Revista Eletrónica Educare, 22(2), 1-27.

Ferreira, A. C. S. P., Ferenc, A. V. F., & Wassem, J. (2018). Trabalho docente e avaliação da Capes: estranhamento e naturalização. Educação & Realidade, 43(4), 1321-1341.

Ferreira, L. L. (2019). Lições de professores em suas alegrias e dores no trabalho. Cadernos de Saúde Pública, 35(suppl. 1), e00049018.

Forattini, C. D., & Lucena, C. (2015). Adoecimento e sofrimento docente na perspectiva da precarização do trabalho. Laplage em Revista, 1(2), 32-47.

Gouvernet, B., Mouchard, J., & Combaluzier, S. (2015). Analyses en pistes causales d’un modèle d’une organisation fonctionnelle des relations entre mécanismes de défense et stratégias de coping. L’Encéphale, 41(5), 403-411.

Hoffmann, C., Zanini, R. R., Moura, G. L., Costa, V. M. F., & Comoretto, E. (2017). Psicodinâmica do trabalho e riscos de adoecimento no magistério superior. Estudos Avançados, 31(91), 257-276.

Hoffmann, C., Marchi, J., Comoretto, E., & Moura, G. L. (2018). Relações entre autoconceito profissional e produtivismo na pós-graduação. Psicologia & Sociedade, 30(1), 1-10.

Leite, A. F. & Nogueira, J. A. D. (2017). Fatores condicionantes de saúde relacionados ao trabalho de professores universitários da área da saúde: uma revisão integrativa. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 42(6), 1-15.

Llapa, E. O. R., Silva, G. G., Neto, D. L., López, M. J. M., Seva, A. M. L., & Gois, C. F. L. (2015). Uso de práticas integrativas e complementares no tratamento de estresse ocupacional: uma revisão integrativa. Enfermería Global: Revista Electrónica Trimestral de Enfermería, 39(1), 304-315.

Loureiro, T., Mendes, G. H. S., & Silva, E. P. (2018). Estigma, invisibilidade e intensificação do trabalho: estratégias de enfrentamento do sofrimento pelos assistentes em administração. Trabalho, Educação e Saúde, 16(2), 703-728.

Martinéz, D. (1997). El malestar docente. In D. Martinéz, I. Valles, & J. Kohen (Orgs.), Salud y trabajo docente: tramas del malestar e la escuela (pp. 111-136). Buenos Aires: Kapelusz.

Maturana, A. P. P. M., & Valle, T. G. M. (2014). Estratégias de enfrentamento e situações estressoras de profissionais no ambiente hospitalar. Psicologia Hospitalar, 12(1), 2-23.

Mendes, A. M. B., & Ferreira, M. C. (2007). Inventário de Trabalho e Riscos de Adoecimento, ITRA: instrumento auxiliar de diagnóstico de indicadores críticos no trabalho. In A. M. B. Mendes (Org.), Psicodinâmica do trabalho: teoria, método e pesquisa. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Medeiros, A. M., & Vieira, M. T. (2019). Ausência ao trabalho por distúrbio vocal de professores da Educação Básica no Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 35(suppl. 1), e00171717.

Minayo, M. C. S. (2017). Amostragem e saturação em pesquisa qualitativa: consensos e controvérsias. Revista Pesquisa Qualitativa, 5(7), 01-12.

Ministério da Saúde (2012). Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União. Brasília.

Ministério da Saúde (2016). Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União. Brasília.

Monsalve, A. S. (2016). A identidade docente de professores de pós-graduação médica e cirúrgica em um hospital universitário: um olhar a partir das histórias de vida. Ciências da Saúde, 14(1), 75-92.

Moreira, D. A., Tibães, H. B. B., & Brito, M. J. M. (2018). Prazer e sofrimento de docentes na pós-graduação stricto sensu em enfermagem. Revista Rene, 19(1), e33328.

Oliveira, C. A. F. B., Almeida, C. M., Souza, N. V. D. O., Pires, A. S., & Madriaga, L. C. V. (2017). Prazer e sofrimento no trabalho: perspectivas de docentes de enfermagem. Revista Baiana de Enfermagem, 31(3), 20-29.

Oliveira, A. S. D., Pereira, M. S., & Lima, L. M. (2017). Trabalho, produtivismo e adoecimento dos docentes nas universidades públicas brasileiras. Psicologia Escolar e Educacional, 21(3), 609-619.

Penteado, R. Z., & Neto, S. S. (2019). Mal-estar, sofrimento e adoecimento do professor: de narrativas do trabalho e da cultura docente à docência como profissão. Saúde e Sociedade, 28(1),135-153.

Pietrowski, D. L., Cardoso, N. O., & Bernardi, C. C. N. (2018). Estratégias de coping frente à síndrome de burnout entre os professores: uma revisão integrativa da literatura nacional. Contextos Clínicos, 11(3), 397-409.

Ravalier, J. M., Wegrzynek, P., & Lawton, S. (2016). Systematic review: complentary therapies and employee well-being. Occupational Medicine, 66(1), 428–436.

Reis, L. A., & Menezes, T. M. O. (2017). Religiosidade e espiritualidade nas estratégias de resiliência do idoso longevo no cotidiano. Revista Brasileira de Enfermagem, 70(4), 794-799.

Ruza, F. M., & Silva, E. P. (2016). As transformações produtivas na pós-graduação: o prazer no trabalho docente está suspenso? Revista Subjetividades, 16(1) 91-103.

Santos, S. M. M., Maia, E. G., Claro, R. M., & Medeiros, A. M. (2019). Limitação do uso da voz na atividade física de ensino e lazer: Estudo Educatel, Brasil, 2015/2016. Cadernos de Saúde Pública, 35(suppl. 1), e00188317.

Silva, L. C., & Salles, T. L. A. (2016). O estresse ocupacional e as formas alternativas de tratamento. Recape: Revista de Carreiras de Pessoas, 6(2), 234-247.

Silva, Q. L., Menezes, T. F. A., & Cassunde, F. R. S. J. (2016). Esgotamento psicológico no trabalho: uma análise sob a ótica da síndrome de burnout em professores do ensino fundamental. Line Multidisciplinary and Psychology Journal, 10(29), 37-47.

Silva, A. V., & Piolli, E. (2017). A centralidade na psicodinâmica de Christophe Dejours, o campo educacional e o trabalho docente: aproximações possíveis. Devir Educação, 1(1), 50-65.

Silveira, K. A., Enumo, S. R. F., & Batista, E. P. (2014). Indicadores de estresse e estratégias de enfrentamento em professores de ensino multisseriado. Psicologia Escolar e Educacional, 18(3), 457-465.

Silveira, S. S., & Bendassolli, P. F. (2018). Estratégias de conciliação trabalho-família de professores universitários em uma capital do Nordeste brasileiro. Revista Psicologia: Organização e Trabalho, 18(3), 422-429.

Souto, B. L. C., Beck, C. L. C., Trindade, L. R., Silva, R. M., Backes, D. S., & Bastos, R. A. (2017). O trabalho docente em pós-graduação: prazer e sofrimento. Revista de Enfermagem da UFSM, 7(1), 29-39. http:// dx.doi.org/10.5902/2179769222871

Tundis, A. G. O., Monteiro, J. K., Santos, A. S., & Dalenogare, F. S. (2018). Estratégias de mediação no trabalho docente: um estudo em uma universidade pública na amazônia. Educação, 34(1), 1-23.

Tundis, A. G. O., & Monteiro, J. K. (2018). Ensino superior e adoecimento docente: um estudo em uma universidade pública. Psicologia da Educação, 46(1), 1-10.

Valadão, M. B., & Neto, S. B. C. (2019). Estresse ocupacional e estratégias de enfrentamento psicológico de docentes do ensino superior de Goiânia. In I. G. S. Arioli (Org.), Psicologia da saúde: teoria e intervenção. Ponta Grossa, PR: Atena.

Vieira, F. O., Mendes, A. M., & Merlo, A. R. C. (2013). Dicionário crítico de gestão e psicodinâmica do trabalho. Curitiba: Juruá.

Vilela, E. F., Garcia, F. C., & Vieira, A. (2013). Vivências de prazer-sofrimento no trabalho do professor universitário: estudo de caso em uma instituição pública. Revista eletrônica de administração, 75(2), 517-540.

Downloads

Publicado

2019-12-20

Como Citar

Vivian, C., Trindade, L. de L., Rezer, R., Vendruscolo, C., & Rodrigues Junior, S. A. (2019). Estratégias de defesa contra o sofrimento no trabalho de docentes da pós-graduação stricto sensu. Cadernos De Psicologia Social Do Trabalho, 22(2), 217-234. https://doi.org/10.11606/issn.1981-0490.v22i2p217-234

Edição

Seção

Artigos Originais