Em narrativas amadianas, Exu: a boca que tudo come

  • Alexandre de Oliveira Fernandes Instituto Federal de Educação Tecnológica da Bahia
Palavras-chave: Exu, Jorge Amado, Ebó, Orixás, Axé

Resumo

O presente artigo reconhece o ebó/sacrifício como sistema de restituição do poder das energias míticas do Culto aos orixás e, quem come primeiro é Exu, “a boca que tudo come”. Sabe-se que toda a dinâmica do sistema Nagô está centrada em torno do ebó, a oferenda ritual dedicada aos orixás. Nas casas de Culto, o sacrifício é sempre material: alimentos, bebidas, animais, minerais, plantas, por meio do que, evoca-se uma relação interpessoal e litúrgica, dinâmica e viva que movimenta o corpo e os níveis da personalidade dos adeptos. O sangue dos animais, a oferenda dos frutos, das ervas e dos minerais provoca a manutenção e o fortalecimento do axé. Trata-se de um sistema mítico de restituição que coloca as energias em ação, provocando o movimento e a Vida. Faltar com o ebó é incorrer em grave penalidade que interrompe o movimento (do axé), deprecia os laços entre deuses e humanos, permitindo o declínio da energia vital. Quem cobra a falta é Exu, parceiro do escritor baiano Jorge Amado. O “imortal” representou seu compadre das encruzilhadas em diversos de seus textos, nos quais, brinca, faz estripulias e se alimenta. A Exu, como se sabe, saúda-se: Laroyê! 

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Biografia do Autor

Alexandre de Oliveira Fernandes, Instituto Federal de Educação Tecnológica da Bahia
Doutor em Ciência da Literatura (UFRJ) Possui graduação em Letras pela Universidade do Estado da Bahia, pós-graduação em Letras: Língua Portuguesa e Literatura pelas Faculdades Integradas Jacarepaguá/RJ. Também pelas Faculdades Jacarepaguá, cursou pós strictu sensu em Cultura Afro-brasileira. Especialista em Antropologia com Ênfase em Cultura Afro-brasileira pela Universidade do Sudoeste da Bahia - UESB. Professor de Língua Portuguesa e Literatura no Instituto Federal de Educação Tecnológica da Bahia - IFBA/Porto Seguro. Mestre em Letras: Linguagens e Representações pela Universidade Estadual de Santa Cruz / UESC. Desenvolve pesquisas nas áreas de culto aos orixás, mitologia, semiótica, antropologia das religiões, linguística, literatura, leitura e escrita, currículo, educação, pós-estruturalismo, interculturalidade crítica, Michael Foucault e Jacques Derrida, Caterine Walsh e Judith Butler, Metodologia da Pesquisa, Pesquisa Social, Quali-quantitativa.

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Referências videográficas

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Publicado
2017-06-30
Como Citar
Fernandes, A. (2017). Em narrativas amadianas, Exu: a boca que tudo come. Revista Criação & Crítica, (18), 20-37. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0i18p20-37