Orfandade, movimento, presença

Sobre uma ética da literatura em Putas asesinas, de Roberto Bolaño

Palavras-chave: Roberto Bolaño, Putas asesinas, ética, errância, não pertencimento, deslocamento

Resumo

Este artigo analisa como se expressa uma ética da literatura em três contos de Putas asesinas, de Roberto Bolaño: “Ojo Silva”, “Días de 1978” e “Vagabundo en Francia y Bélgica”, a partir da errância, do deslocamento e do não pertencimento. Por essa via, na literatura de Bolaño emerge uma ética pautada na busca do artista, da arte e da escritura, como aposta na liberdade capaz de articular a curiosidade, a sensibilidade e a racionalidade, convertendo-as em alternativas para se alcançar um estado estético que se apresenta como lugar em que vida e arte se encontram, na precariedade da linguagem, estabelecendo uma intersecção entre ética e estética.

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Biografia do Autor

Wanderlan Alves, Universidade Estadual da Paraíba

Doutor em Letras pela UNESP/S. J. Rio Preto. Professor permanente do Programa de Pós-graduação em Literatura e Interculturalidade (PPGLI/UEPB) e de Literatura Hispano-americana da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Dedica-se aos estudos de narrativa moderna e contemporânea latino-americana (tanto hispano-americana quanto brasileira), hibridismos escriturais, literatura e mass media e debates em teoria e crítica contemporâneas sobre novos modos de conceber e ler o literário (pós-autonomia, inespecificidade, dispersão, etc.). Coordena o GELCCO - Grupo de Estudos de Literatura e Críticas Contemporâneas (UEPB/CNPq). É membro da Latin American Studies Association.

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Publicado
2018-11-20
Como Citar
Alves, W. (2018). Orfandade, movimento, presença. Revista Criação & Crítica, (21), 127-146. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0i21p127-146
Seção
Artigos