O Suicídio como aprendizagem

Uma leitura do poema “Rolla” de Musset feita por Álvares de Azevedo

Palavras-chave: romantismo, crítica literária, ceticismo, tradução

Resumo

Este artigo discute a presença do suicídio nos ensaios críticos de Álvares de Azevedo, com ênfase em “Alfredo de Musset: Jacques Rolla”, uma tradução comentada de partes do poema referido no título. Ao analisar os contrastes presentes na composição das personagens mussetianas, o crítico brasileiro evidencia o embate entre crença e descrença existente sobretudo no protagonista. O encaminhamento dessa análise permite dizer que o suicídio no poema vai além de um ato de negação das estruturas sociais, razoavelmente comum naquele período, mas eleva o jovem de início cético a outro patamar na compreensão da experiência humana, convertendo a morte voluntária numa espécie de aprendizado.

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Biografia do Autor

Natália Gonçalves de Souza Santos, Universidade Estadual do Piauí

Doutora pelo Programa de pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada da USP e autora do livro Antagonismo e dissolução:  o pensamento crítico de Álvares de Azevedo (São Paulo: Humanistas/FAPESP, 2014), fruto de sua dissertação de mestrado, defendida junto ao mesmo programa. Professora na Universidade Estadual do Piauí (UESPI), campus Floriano

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Publicado
2019-04-26
Como Citar
Gonçalves de Souza Santos, N. (2019). O Suicídio como aprendizagem. Revista Criação & Crítica, (23), 29-46. Recuperado de http://www.revistas.usp.br/criacaoecritica/article/view/151858