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A Estética da Culpa e a Sombra da Tradição: Notas para a análise de A queda, de Albert Camus

Raphael Luiz Araújo

Resumo


Este texto pretende fazer uma introdução ao livro A queda, de Albert Camus, levando em conta considerações suscitadas por Jacquéline Lévi-Valensi e Anne Coudreuse, duas especialistas da obra. Escrita nos primeiros anos do pós-guerra, A queda se constitui como um monólogo híbrido que se subdivide em encenações teatrais, anedotas romanescas e máximas moralizantes. Essa estrutura adéqua-se inteiramente à concepção ideológica da obra, que busca questionar os discursos tradicionais, revelando a decadência do sentido atribuído à linguagem. A derrocada dos valores humanos reflete-se no protagonista por meio da sua hipocrisia — oscilante entre maldade e culpabilidade — que o leva a dividir-se em confissões duplas, pois também são acusações. Indiretamente, tal postura remete-se ao intertexto baudelairiano, que por meio do conceito do riso, é capaz de sintetizar essa denúncia ao julgamento universal.

PALAVRAS-CHAVE:


Palavras-chave


Albert Camus, A queda, Charles Baudelaire, riso.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v2i3p115-128

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Revista Criação & Crítica Qualis B1 ISSN: 1984-1124

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