VISAGENS E ASSOMBRAÇÕES NO RECIFE VELHO: SOBRE O FANTÁSTICO, A ALEGORIA E A HISTÓRIA

  • João Batista Pereira Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Palavras-chave: Literatura fantástica, Alegoria benjaminiana, Gilberto Freyre

Resumo

O presente artigo busca refletir sobre os condicionantes teóricos da literatura fantástica e como a alegoria auxilia em sua compreensão na contemporaneidade. A problematização deste tropo no livro Introdução à literatura fantástica, de Tzvetan Todorov, e a ascensão do recurso alegórico como categoria hermenêutica, antevista na Origem do drama trágico alemão, por Walter Benjamin, permitem vislumbrar o fantástico com maior sentido e amplitude estética. À luz dessa perspectiva, a análise do relato “No riacho da Prata”, de Gilberto Freyre, revelou-se basilar ao restituir importância à história na apreciação daquele gênero literário. Em oposição ao que preconiza Todorov concluímos que, ao atribuir significação às emanações do contexto, não se inviabiliza a recepção do insólito e do sobrenatural contidos no texto, mantendo-se a hesitação do leitor ante a um acontecimento inexplicável quando apreendido pelas leis da realidade.

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Biografia do Autor

João Batista Pereira, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
Professor Adjunto do Instituto de Letras da UNILAB e do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFC.

Referências

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Publicado
2014-12-12
Como Citar
Pereira, J. (2014). VISAGENS E ASSOMBRAÇÕES NO RECIFE VELHO: SOBRE O FANTÁSTICO, A ALEGORIA E A HISTÓRIA. Revista Criação & Crítica, (13), 102-112. https://doi.org/10.11606/issn.1984-1124.v0i13p102-112
Seção
Artigos