MEMÓRIAS DAS TRINCHEIRAS: OS ANIMAIS NA LITERATURA DA GRANDE GUERRA

Palavras-chave: Primeira Guerra Mundial, homens, animais, trincheiras, memórias

Resumo

Embora até recentemente o homem tenha detido o papel principal nos relatos sobre a Grande Guerra, a verdade é que os animais também foram atores diretos desse cenário bélico. No entanto, o contributo do soldado não-humano parece ter sido relegado para os bastidores deste teatro apocalíptico até às últimas décadas do século 20, altura em que se assiste a uma verdadeira revolução do pensamento ocidental relativamente à condição animal e sua relação com o humano. Neste contexto, o crescente interesse teórico e crítico pela condição animal e a sua revalorização ético-científica lançaram um novo olhar – não especista, nem antropocêntrico – sobre a atuação militar destes heróis marginalizados e a sua relação com os seus companheiros humanos, com quem partilharam o inferno das trincheiras. Com efeito, os grandes discursos contemporâneos sobre a animalidade, centrados na renegociação da cartografia humano-animal a partir de um descentramento antropológico, propõem uma releitura simbólica da presença do animal da Grande Guerra, amplamente celebrada pelos soldados nos seus escritos memorialísticos, que compõem o abundante corpus de literatura testemunhal do pós-guerra.

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Biografia do Autor

Márcia Seabra Neves, Universidade Nova de Lisboa
Márcia Seabra Neves, doutorada em Cultura pela Universidade de Aveiro (Portugal), é investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da Universidade Nova de Lisboa, onde presentemente desenvolve um projeto de investigação subordinado ao tema “Zooficções: figuras da animalidade nas narrativas portuguesa e brasileira contemporâneas”.

Referências

Bibliografia teórica
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Bibliografia memorialística
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Publicado
2018-06-30
Como Citar
Neves, M. (2018). MEMÓRIAS DAS TRINCHEIRAS: OS ANIMAIS NA LITERATURA DA GRANDE GUERRA. Revista Desassossego, 10(19), 39-58. https://doi.org/10.11606/issn.2175-3180.v10i19p39-58