Vítimas fatais do salazarismo: realidade e ficção em "Balada da praia dos cães: dissertação sobre um crime" (1982), de José Cardoso Pires

  • Denise Rocha Universidade Federal do Ceará, FortalezaUNILAB
Palavras-chave: Literatura portuguesa, José Cardoso Pires, Balada da Praia dos Cães, história, polifonia

Resumo

O objetivo do estudo é apresentar as variadas facetas da realidade e da ficção do crime do Guincho (1960) - o assassinato do capitão Almeida Santos, um dos líderes do Golpe da Sé (1959) para derrubar a ditadura de Salazar - que abalou a opinião pública portuguesa e motivou a escrita da Balada da Praia dos Cães (1982), de José Cardoso Pires. A narrativa polifônica (Bakhtin), que será analisada segundo reflexões de Hutcheon e Todorov, evoca o ambiente de medo e violência em Lisboa, e revela a ruptura de paradigmas consagrados do romance, ao mesclar variados registros: dossiês policiais, autos e relatórios com jargões e técnicas de inquérito e de medicina legal forenses; textos e intertextos: notas de rodapé explicativas sobre a biografia de personagens e eventos históricos, notícias de jornais, panfletos etc.

Palavras-chave: Literatura portuguesa; José Cardoso Pires; Balada da Praia dos Cães; história; ficção.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Denise Rocha, Universidade Federal do Ceará, FortalezaUNILAB

Licenciatura e Doutorado em Letras, UNESP, Assis

Geschichte und Deutsche Philologie, Magister Artium, Ruprecht-Kars-Universität Heidelberg

 

Referências

BALADA DA PRAIA DOS CÃES, 19 jan. 2012. [Acórdão da Secção Criminal do Supremo Tribunal de Justiça de 2 de maio de 1962]. Disponível em: . Acesso em: 18 mai. 2018.
CARDOSO PIRES, José. Balada da Praia dos Cães: Dissertação sobre um crime. 8ª. ed. Lisboa: Círculo de Leitores, 1983.
HUTCHEON, Linda. Historicizando o pós-moderno: a problematização da história. In: ¬¬¬¬-______. Poética do pós-modernismo: história, teoria, ficção. Trad. de .Ricardo Cruz. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
JOSÉ CARDOSO PIRES. Entrevista. Expresso, Lisboa, p. 1 e 2, 20 dez. 1997.
_______. O meu romance é uma valsa de conspiradores. Entrevista a Antonio Mega Pereira. Jornal das Letras, Lisboa, ano II, n. 47, p. 2 - 4, 7 dez. 1982.
MARGATO, Izabel. O uso político da memória na ficção de José Cardoso Pires. Revista Semear, 10, 2004. Disponível em: <
http://www.letras.puc-rio.br/unidades&nucleos/catedra/revista/10Sem_07.html>. Acesso em: 7 de abril 2018.
MENESES, Filipe Ribeiro. Salazar: biografia definitiva. Trad. de Teresa Casal. São Paulo: Leya, 2011.
MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. 12ª ed. ver. e ampl. São Paulo: Cultrix, 2004.
PIMENTEL, Irene. O Golpe da Sé. Blog, 19 de abril de 2010. Disponível em:
. Acesso em: 7 de abril 2018.
SECCO, Lincoln. A Revolução dos Cravos e a crise do império colonial português: economias, espaços e tomadas de consciências. São Paulo: Alameda; USP; FAPESP; Instituto Camões/ Cátedra Jaime Cortesão, 2004.
SENA, Jorge de. Editorial: Dois cadáveres, Portugal Democrático, Lisboa, p. 1, abril 1960. Disponível em: . Acesso em: 7 de abril de 2018.
SEIXO, Maria Alzira. A palavra do romance: Ensaios de genologia e análise. Lisboa: Livros Horizonte, 1986.
TODOROV, Tzvetan. Tipologia do romance policial. In: ______. As estruturas narrativas. Tradução s.n. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 1970. p. 93-104.
Publicado
2018-12-31
Como Citar
Rocha, D. (2018). Vítimas fatais do salazarismo: realidade e ficção em "Balada da praia dos cães: dissertação sobre um crime&quot; (1982), de José Cardoso Pires. Revista Desassossego, 10(20), 97-119. https://doi.org/10.11606/issn.2175-3180.v10i20p97-119