Porque Wittgenstein não refuta o ceticismo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.2318-8863.discurso.2019.165484

Palavras-chave:

Wittgenstein, Ceticismo, Mundo Exterior, Conhecimento, Dúvida

Resumo

Em Da certeza, Wittgenstein formula várias críticas contra o ceticismo em relação ao nosso conhecimento do mundo externo. Meu objetivo é mostrar que Wittgenstein não oferece aqui uma resposta convincente ao problema cético. Em primeiro lugar, apresentarei uma versão forte do problema, entendendo-o como um argumento paradoxal. Na segunda parte, vou introduzir e levantar problemas para duas respostas pragmáticas contra o ceticismo que aparecem em Da certeza. Finalmente, apresentarei algumas das críticas lógicas de Wittgenstein contra o ceticismo, que inicialmente podem ser consideradas fortes, porque parecem refutar alguns pressupostos céticos. Elas dizem respeito às idéias de Wittgenstein de que é logicamente impossível duvidar e confundir-se com as proposições mooreanas, e que essas proposições não têm valor verdadeiro. Pretendo mostrar, entretanto, que elas tampouco desafiam realmente o ceticismo, pois não estão bem fundamentadas.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Raquel Albieri Krempel, Universidade Federal de São Paulo [Unifesp]

    Pós-doutoranda
    Universidade Federal de São Paulo [Unifesp]

Referências

Descartes, R. (1986). Meditations on First Philosophy. Tradução de J. Cottingham. Cambridge: Cambridge University Press.

Moore, G. E. (1993). “A Defence of Common Sense”. In: Baldwin, T. (Ed.), G.E. Moore: Selected Writings. London: Routledge.

Moyal-Sharrock, D. (2004a). The Third Wittgenstein. Hampshire: Ashgate.

Moyal-Sharrock, D. (2004b) Understanding Wittgenstein’s On Certainty. London: Palgrave Macmillan.

Moyal-Sharrock, D. & Brenner, W. H. (2005). (Eds.), Readings of Wittgenstein’s On Certainty. London: Palgrave Macmillan.

Nozick, R. (1981). Philosophical Explanations. Cambridge (ma): Harvard University Press.

Pritchard, D. (2005). “Wittgenstein’s On Certainty and Contemporary Anti-Scepticism”. In: Moyal-Sharrock, D. & Brenner, W. H. (Eds.), Readings of Wittgenstein’s On Certainty. London: Palgrave Macmillan.

Stroll, A. (1994). Moore and Wittgenstein on Certainty. Oxford: Oxford University Press.

Stroll, A. (2005) “Why On Certainty Matters”. In: Moyal-Sharrock, D. & Brenner, W. H. (Eds.), Readings of Wittgenstein’s On Certainty. London: Palgrave Macmillan.

Stroud, B. (1984). The Significance of Philosophical Scepticism. Oxford: Oxford University Press.

Williams, M. (1991). Unnatural Doubts: Epistemological Realism and the Basis of Scepticism. Oxford: Blackwell.

Wittgeinstein, L. (1969). On Certainty. Tradução de D. Paul e G. E. M. Anscombe. New York: Harper Torchbooks, 1972.

Wright, C. (1986). “Facts and Certainty”. In: Studies in the Philosophy of Logic and Knowledge. Oxford: Oxford University Press, 2004.

Wright, C. (1991). “Scepticism and Dreaming: Imploding the Demon”, Mind 100, 87-116.

Downloads

Publicado

2019-12-29

Edição

Seção

Artigos

Dados de financiamento

Como Citar

Krempel, R. A. (2019). Porque Wittgenstein não refuta o ceticismo. Discurso, 49(2), 233–252. https://doi.org/10.11606/issn.2318-8863.discurso.2019.165484