Complexidade da repetição

Palavras-chave: Ritmo, Aspecto, Andamento, Repetição, Progressão textual

Resumo

A vastidão da presença da repetição nos textos convida a múltiplas abordagens. Neste artigo, propomos investigar a relação da repetição com a construção de tensão, da espera e, enfim, do ritmo textual. Para tanto, inquirimos sobre seu papel de manifestante de uma estrutura manifestada, que se organiza em torno das noções de aspecto e andamento, configuração que traçamos por meio da investigação de casos extremos: textos impossíveis. Em seguida, na comparação com os mecanismos da isotopia e da explicação, argumentamos por uma diferença de configurações de estilos tensivos, em que a repetição, inicialmente átona e sem direção, passa, num segundo momento, a engendrar pela falta um estilo ascendente de tensão. Por fim, a estrutura discutida é abordada do ponto de vista da globalidade do texto e a repetição é tratada como um fator na construção do regime de evolução do texto, que progride em pequenos círculos localizados, em grandes arcos ou por círculos entrelaçados numa progressão em espiral. O laço entre a falta e a surpresa que a repetição põe em jogo nos textos parece trazer uma solução tensiva à oposição entre a semiótica clássica e a visada inaugurada por Claude Zilberberg.

Biografia do Autor

Carolina Lindenberg Lemos, Universidade Federal do Ceará

Docente do Departamento de Letras Vernáculas da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Publicado
2019-04-11
Como Citar
Lindenberg Lemos, C. (2019). Complexidade da repetição. Estudos Semióticos, 15, 104-121. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2019.154652