Claude Zilberberg: a semiótica estetizada

  • Norma Discini Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Homenagem, Espaço tensivo, Aspecto, Sujeito

Resumo

Algirdas Julien Greimas (2014), em estudo sobre o crer e o saber, faz breve alusão à conversão do ato epistêmico em fazer interpretativo e em processo discursivo, para o que coteja o conceito de aspecto com o papel do observador leitor. Na mesma obra, ao discutir a semiose do mundo, alude a um sujeito “paciente”, que, distinto daquele ativo ou agente, é confrontado com o estatuto modal do objeto contemplado. Claude Zilberberg (2011), por sua vez, ancora a noção de aspecto num espaço tensivo, enquanto cria condições para que se descreva o sujeito como o que se apresenta atropelado por um acontecimento extraordinário. Em nossas reflexões, cotejaremos como as questões de processamento aspectual e de formação de um sujeito “paciente”, vindas à luz no âmbito da narratividade, ressoam na semiótica tensiva, enquanto se confrontam estilos esboçados nos gêneros discursivos e configurados como estilos autorais. Somos movidos pelo desejo de homenagear Zilberberg, que, tendo partido recentemente desta vida, deixa para nós um legado epistemológico que nos permite entender a estesia constitutiva da linguagem, do sujeito e dos discursos, advindos todos dos mais diversos campos do conhecimento.

Biografia do Autor

Norma Discini, Universidade de São Paulo

Docente do Programa de Pós-graduação em Semiótica e Linguística geral da Universidade de São
Paulo (USP).

Publicado
2019-04-11
Como Citar
Discini, N. (2019). Claude Zilberberg: a semiótica estetizada. Estudos Semióticos, 15, 88-103. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2019.156077