As transparências enganam

Palavras-chave: Transparência, Aparência, Verdade, Discurso político, Semiótica

Resumo

A desconfiança ameaça o discurso e a ação políticos. Porém, apenas a linguagem e, portanto, as “aparências” podem nos dizer a verdade, pois só conhecemos o mundo através delas. Não há outro acesso possível à realidade e à verdade, social ou natural, além daquilo que o mundo, natural ou construído, oferece à percepção de nossos sentidos e sobre o qual construímos seu próprio “sentido” . Diante da persistente desconfiança das aparências e, portanto, da linguagem – uma suspeita semiótica baseada na ideia de que a linguagem nada mais é do que um véu cuja função não é dizer ou fazer conhecer o mundo, mas sim ser um filtro (quase um feitiço) que nos impede de “sentir” a realidade exata das coisas e defender uma palavra política “transparente” e “imediata” – este artigo se propõe a analisar os conflitos enunciativos da construção do discurso político como “mediação” semiótica.

Biografia do Autor

Juan Alonso Aldama, Universidade de Paris Descartes (Paris V)

Docente da Universidade de Paris Descartes (Paris V), França.

Publicado
2019-08-19
Como Citar
Aldama, J. (2019). As transparências enganam. Estudos Semióticos, 15(1), 152-161. https://doi.org/10.11606/issn.1980-4016.esse.2019.160195