http://www.revistas.usp.br/esse/issue/feed Estudos Semióticos 2020-10-01T01:05:16-03:00 Revista Estudos Semióticos rev.esse@usp.br Open Journal Systems <p>Publicação quadrimestral online do Programa de Pós-Graduação em Semiótica e Linguística Geral da FFLCH-USP, a revista&nbsp;<strong>Estudos Semióticos</strong>&nbsp;(ISSN 1980-4016) veicula trabalhos da área de Semiótica, bem como dos campos limítrofes, dirigidos à comunidade dos pesquisadores. Podem ser propostos trabalhos que lidem com os signos, os textos, os discursos e as práticas sociais produtoras de sentido, desde que sejam inéditos e dialoguem com as teorias semióticas. Admitem-se trabalhos em português, francês, inglês, espanhol e italiano.</p> <p>Em cada temporada anual, a revista publica uma edição de tema livre e duas temáticas. Eventualmente, pode ser publicada também uma edição extra no formato de um dossiê especial.</p> <p>No último evento de classificação do Qualis Periódicos da CAPES (2016), a revista foi classificada no estrato B1.</p> http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/174819 Linguística e ciência da literatura 2020-10-01T01:04:56-03:00 François Rastier frastier@gmail.com <p>Embora a descrição da literatura não se reconheça como participante da tradição gramatical, as ciências da linguagem e da literatura tornaram-se vizinhas em meio ao continente das ciências da cultura desde o advento da linguística, há cerca de dois séculos. Sua convivência acabaria sendo, porém, negligenciada mais tarde pelas gramáticas formais e pelo cognitivismo ortodoxo. Mas, como a semiótica das culturas se apoia em conquistas teóricas procedentes do método comparativo e aprofundadas pelo estruturalismo, é possível conceber uma linguística dos textos que se expanda em direção a uma ciência das obras. Os estudos linguísticos e literários têm, sem dúvida, muito a ganhar com a intensificação de suas interações dentro do vasto território das ciências da cultura.</p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 François Rastier http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/172392 Graus de concessão: as dinâmicas do inesperado 2020-10-01T01:05:05-03:00 Mariana de Souza Coutinho marianacoutinho16@gmail.com Renata Mancini renata.mancini@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Com os desdobramentos da abordagem tensiva, a semiótica se abre para a vetorialização de dicotomias e para uma investida clara no tratamento operacional dos processos. Partindo do próprio cerne dos mecanismos preconizados por essa vertente teórica, o artigo apresenta uma via de acesso à dinamização da oposição entre implicação e concessão, propondo graus de concessão cuja amplitude é demarcada desde a concessão mais tênue possível, que tem como correlato a implicação forte, ou manutenção exata da expectativa criada, até, no outro extremo, ao ápice da quebra de expectativa no “acontecimento”. Trazer esse dinamismo nos possibilita entender melhor as demandas perceptivas de um texto e até mesmo criar desenhos tensivos, medindo o impacto de cada quebra em vista da expectativa criada e do desenvolvimento proposto.</span></p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Mariana de Souza Coutinho, Renata Mancini http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/171320 Fidelidade e mudança: a relação entre formas de vida e práxis enunciativa 2020-10-01T01:05:13-03:00 Renata Cristina Duarte duarte.renatac@gmail.com <p>Baseado nos pressupostos teóricos e metodológicos da Semiótica francesa, o presente artigo visa refletir sobre a relação entre os conceitos “formas de vida” e “práxis enunciativa”. De acordo com a teoria, as formas de vida evidenciam os modos como os indivíduos e as coletividades percebem o mundo e dão a conhecer suas concepções de existência. Ademais, elas concernem tanto à manutenção quanto à transformação, pois se formam e se desfazem pelo uso, são inventadas, praticadas ou recusadas pelas instâncias enunciantes. Tal consideração remete à noção de práxis enunciativa ao refletir sobre a passagem daquilo que é limitado e estabilizado no sistema da língua àquilo que é singular e inovador no exercício do discurso. Desse modo, este trabalho baseia-se no entendimento de que a dinâmica da práxis enunciativa permite o contraste entre formas de vida tradicionais, armazenadas no sistema cultural, e aquelas inventivas, que transgridem os códigos e os usos estabelecidos para fundar uma nova axiologia. Tal abordagem permite, assim, a inserção na teoria de discussões relativas ao uso, às identidades culturais, à variação das estruturas e sua tipificação.</p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Renata Cristina Duarte http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/171906 Semiótica das estruturas sociais 2020-10-01T01:05:10-03:00 Lucas Calil calil.lucas@gmail.com <p>O prolongado debate sobre o fazer semiótica frente à própria historiografia da disciplina e às demais ciências sociais se vê fragmentado em duas frentes: a primeira é a reorganização da semiótica enquanto profissão e método de análise; a segunda busca desenvolver, a partir da teoria já estabelecida, novos recursos de pesquisa e compreensão dos processos de construção do(s) sentido(s). Parte dessa bifurcação, portanto, a proposta para este artigo, com o entendimento de que há espaço na atual literatura semiótica para uma abordagem sobre as condições gerais anteriores ao ato enunciativo – cujas bases e regulações socioculturais delimitam as estratégias passíveis de reprodução, modificação e potencialização do(s) sentido(s) em sociedade. Em ponte obrigatória com a sociologia, esta proposta de modelo organizacional pressupõe quatro argumentos-chave: a reflexão atualizada de Fontanille (2015) sobre as formas de vida e a estratificação do sentido por reprodução e estabilização, adotada como ponto de partida; a concepção de semiosfera, conforme Lotman (1999); e os procedimentos coletivos de difusão semiótica – as pontes de interlocução entre os grupos sociais –, com base em Granovetter (1973); e de relações de capital, segundo Bourdieu (2015), que alinham as práticas, valores e regimes de crença em desigualdade de poder e propagação.</p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Lucas Calil Guimarães Silva http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/172393 Entre o grafismo e a sintaxe: considerações sobre as operações semióticas da escrita na poesia concreta brasileira 2020-10-01T01:05:02-03:00 Djavam Damasceno da Frota bardothce@hotmail.com <p><span style="font-weight: 400;">O presente trabalho tem como objetivo a descrição do modo de agenciamento discursivo inscrito em um poema concreto a partir da hipótese de que ele manifesta o que podemos chamar de uma poética da escrita. Assim, tecemos algumas considerações sobre o estatuto semiótico da escrita a fim de compreender como suas formas plásticas podem ser mobilizadas para constituição de sentido em um poema. Em seguida, procuramos identificar a especificidade da escrita concreta a partir da comparação do poema “pluvial/fluvial”, de Augusto de Campos, com um caligrama de Apollinaire, de modo a descrever as diferentes estratégias discursivas empregadas por cada enunciador para colocar em relação a expressão plástica da escrita e os conteúdos dos poemas. A partir da análise podemos afirmar que o poema concreto desloca a ênfase fonológica do sistema alfabético ocidental para uma dimensão gramatológica (Klock-Fontanille, 2016). Essa prática se diferencia de outras experimentações poéticas com a escrita por dar ênfase ao caráter sintático das formas plásticas em relação ao discurso verbal, bem como por atribuir objetivação à linguagem poética.</span></p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Djavam Damasceno da Frota http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/162984 A crise de veridicção e o neofantástico: o real a partir de Franz Kafka 2020-10-01T01:05:16-03:00 Gustavo Maciel de Oliveira gustavomaciel08@hotmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Este artigo tem o objetivo de investigar a concepção de real que está implicada na reflexão feita pelos teóricos do (neo)fantástico, já que é o modo como se concebe a realidade que estabelece o que é fantástico ou não. É a partir dessa relação movediça entre o “real” e o “imaginário” que o impacto gerado pela obra de Franz Kafka no século XX serve como ponto fundamental para que teóricos como Jaime Alazraki e David Roas postulem um neofantástico. Em termos semióticos, a reflexão desses autores está ligada à crise de veridicção a que aludem Greimas (2014) e Fiorin (2008) e indicia que o real, a partir dos escritos de Kafka, e em confluência com outros acontecimentos do mencionado século, passa a ser visto de modo concessivo (paradoxal). Será a partir desses pontos que, por fim, faremos uma análise do conto “A preocupação do pai de família”, a bem de ilustrarmos essas questões em um texto específico do escritor tcheco.</span></p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Gustavo Maciel de Oliveira http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/172405 Ethos e identidade: uma abordagem semiótica da carta bíblica de Paulo a Filemon 2020-10-01T01:05:00-03:00 Domingos de Sousa Machado profmachado2012@gmail.com <p><span style="font-weight: 400;">Munidos do instrumental teórico-metodológico da Semiótica Francesa, em diálogo com autores como Greimas e Courtés (2016), Fontanille (2011), Fiorin (2008a, 2008b), Barros (1990, 2002), Discini (2003), dentre outros, e a partir das análises dos mecanismos de instalação da instância de pessoa no discurso, das estratégias persuasivas do destinador-manipulador e do percurso passional do sujeito-enunciador, procuramos neste artigo levantar o </span><span style="font-weight: 400;">ethos</span><span style="font-weight: 400;"> ou a identidade ética do enunciador da epístola bíblica de Paulo a Filemon. As análises empreendidas revelam uma identidade ética singularizada pelas dimensões categoriais e sócio-psicológicas de um amigo, companheiro, humilde, solidário, benevolente, afetuoso e de um destinador competente. Eis sua singularidade. Se é esse o </span><span style="font-weight: 400;">ethos</span><span style="font-weight: 400;"> do enunciador recorrente nas cartas paulinas, somente a análise do conjunto poderá dizer. É o que empreendemos em nossa pesquisa de doutorado em andamento.</span></p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Domingos de Sousa Machado http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/172219 A gradação tensiva na música cênica contemporânea: estilos e pontos de vista 2020-10-01T01:05:07-03:00 Gustavo Cardoso Bonin boningustavo@gmail.com <p>A música cênica é uma prática artística que se organiza a partir da tensão entre presenças musicais e presenças cênicas, ambas orientadas por uma regência musical que pode ser compreendida como uma base sensível característica que conduz a relação entre sujeito e objeto envolvidos na prática. Com base na abordagem tensiva, desenvolvida principalmente por Claude Zilberberg, faremos uma breve apresentação das estratégias de dominâncias, transportes e ambivalências entre as presenças musicais e as presenças cênicas, por meio da conformação gradativa e aspectual dos modos de contato, para apresentarmos as gradações tensivas que configuram os estilos e os pontos de vista previstos pela música cênica. Para as exemplificações dos estilos, trouxemos obras de três compositores de música cênica contemporânea brasileira: Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira e Tim Rescala.</p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Gustavo Cardoso Bonin http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/170048 O discurso sobre direitos humanos nos grandes veículos de comunicação: análise semiótica de Veja e CartaCapital 2020-10-01T01:05:15-03:00 Marcos da Veiga Kalil Filho marcoskalil26@gmail.com <p style="margin: 0cm; margin-bottom: .0001pt; text-align: justify;"><span style="font-weight: 400;">A Redemocratização no Brasil, cujo marco fundamental se encontra na Constituição de 1988, não foi capaz de construir um senso comum no qual os Direitos Humanos permeassem o bojo axiológico do cidadão médio brasileiro e o discurso midiático acerca da temática. “Direitos humanos para humanos direitos”. “Bandido bom é bandido morto”. Essas e outras máximas foram cotidianamente propagadas não só nas ruas, mas também em programas de TV e reportagens de jornal. A semiótica discursiva dispõe de amplo instrumental teórico-metodológico por meio do qual as estratégias enunciativas do discurso passional da imprensa de grande circulação podem ser descritas e compreendidas. Nesse condão, peças jornalísticas das revistas </span><span style="font-weight: 400;">CartaCapital</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Veja</span><span style="font-weight: 400;"> de casos de ampla notoriedade e comoção foram analisadas: o caso João Hélio, de 2007, no Rio de Janeiro, no qual um menino de seis anos morreu arrastado, preso a um carro roubado em movimento; e o caso do rapaz negro e pobre, acusado de furtos na zona sul carioca, torturado por justiceiros de classe média, em 2014. O trabalho pôde constatar, a despeito das diferentes orientações ideológicas, a semelhança na estratégia enunciativa das publicações.</span></p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Marcos da Veiga Kalil Filho http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/174524 1900: História de um sistema científico-tecnológico que transfigurou as concepções urbanas e arquitectónicas 2020-10-01T01:04:58-03:00 Isabel Marcos isa-mar@fcsh.unl.pt <p><span style="font-weight: 400;">As </span><span style="font-weight: 400;">Exposições Universais</span><span style="font-weight: 400;"> do final do século XIX e do início do século XX introduzem dois novos aspectos na relação entre a técnica e a sociedade: a divulgação das descobertas científico-tecnológicas e a ênfase nos seus mecanismos de produção. O desenvolvimento da técnica permitiu uma proposta de democratização onde o espaço urbano e a habitação para todos detinham um papel determinante. Neste contexto, a </span><span style="font-weight: 400;">Exposição Universal</span> <span style="font-weight: 400;">de 1900</span><span style="font-weight: 400;"> é considerada pela historiografia como sendo um evento fundamental da divulgação das obras de arte e dos produtos industriais e agrícolas. Além da coincidência do calendário, esta exposição é a expressão visível da transição entre os progressos científico-tecnológicos anunciados no final do século XIX e a sua concretização projectada para o futuro próximo. Ela surge como cidade virtual que projecta no seu espaço físico novas concepções urbanas e arquitectónicas. Além disso, pode ser considerada representativa do espírito de uma época eufórica que profetiza a partir do novo sistema científico-tecnológico o nascimento de uma nova sociedade. Este prognóstico, possível graças a invenções tais como a electricidade, o cimento armado, o aeroplano, entre outras, funda a ideia de grandeza das realizações eminentes. Pela primeira vez, uma Exposição Universal consegue antecipar, num evento, uma série de elementos espaciais, sócio-culturais e semânticos, que redefinem a noção de cidade.</span></p> 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Isabel Marcos http://www.revistas.usp.br/esse/article/view/175009 Pela promoção das ciências da cultura: contribuições semióticas 2020-10-01T01:04:54-03:00 Ivã Carlos Lopes lopesic@usp.br José Américo Bezerra Saraiva jabsaraiva@gmail.com Eliane Soares de Lima li.soli@usp.br 2020-09-30T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2020 Ivã Carlos Lopes, José Américo Bezerra Saraiva, Eliane Soares de Lima