A pulsão de morte no primeiro Ferenczi: quietude, regressão e os primórdios da vida psíquica

quietude, regressão e os primórdios da vida psíquica

Palavras-chave: Ferenczi, pulsão de morte, regressão, quietude

Resumo

Este artigo procura expor e discutir o uso que Ferenczi faz da ideia de pulsão de morte, ainda na década de 1910. Apresentamos a história e o contexto da utilização da ideia entre os primeiros psicanalistas e, em seguida, argumentamos que a primeira hipótese do analista húngaro sobre a pulsão de morte procurava relacionar um estágio de onipotência incondicional, característico, a seu ver, da vida intrauterina, com um estado de quietude originário, uma tendência à regressão e uma concepção do narcisismo primitivo. Cada um desses aspectos é problematizado junto à teoria freudiana. Ao final, fazemos uma análise crítica da hipótese à luz das postulações de outros autores.

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Biografia do Autor

Eugênio Canesin Dal Molin, Centro Universitário Filadélfia (Unifil)

Psicanalista. Membro-fundador do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi. Professor Doutor do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), Londrina, PR, Brasil.

Nelson Ernesto Coelho Junior, Universidade de São Paulo. Instituto de Psicologia

Psicanalista. Professor Doutor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (IP-USP), São Paulo, SP, Brasil.

Renata Udler Cromberg, Instituto Sedes Sapientiae

Psicanalista do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae. Pós-doutora pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

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Publicado
2019-08-30
Como Citar
Dal Molin, E., Coelho Junior, N., & Cromberg, R. (2019). A pulsão de morte no primeiro Ferenczi: quietude, regressão e os primórdios da vida psíquica. Estilos Da Clinica, 24(2), 231-245. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v24i2p231-245