O discurso medicalizante e a educação

o sujeito no impasse

Autores

  • Caroline Fanizzi Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação
  • Leandro de Lajonquière Université Paris 8 Vincennes Saint Denis

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i1p105-122

Palavras-chave:

Ilusão (psico)pedagógica, Discurso medicalizante, Laudos, Psicanálise na educação

Resumo

O presente artigo visa apresentar uma reflexão, a partir do diálogo com aportes da psicanálise na educação, acerca das implicações da presença do discurso medicalizante no espaço escolar. O discurso medicalizante, muitas vezes proferido com fluência por aqueles que se ocupam da educação, traz consigo inúmeras consequências ao laço educativo, bem como aos sujeitos nele envolvidos. Para a análise aqui pretendida, valemo-nos de falas de professoras das redes pública e privada de ensino, acerca dos impactos da presença do discurso medicalizante à prática docente e ao cotidiano escolar. Patologização de comportamentos infantis, epidemia de diagnósticos, construção de padrões de normalidade e anormalidade, crescente uso de psicofármacos, bem como a desautorização e a desimplicação do professor, são alguns dos principais aspectos identificados em nosso estudo.

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Biografia do Autor

Caroline Fanizzi, Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação

Doutoranda em Educação na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. 

Leandro de Lajonquière, Université Paris 8 Vincennes Saint Denis

Professor da Université Paris 8 Vincennes Saint Denis, Saint Denis, France.

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Publicado

2020-04-30

Como Citar

Fanizzi, C., & Lajonquière, L. de. (2020). O discurso medicalizante e a educação: o sujeito no impasse. Estilos Da Clinica, 25(1), 105-122. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i1p105-122