Adolescência e lampejos

a construção de políticas de "sobrevivência"

Palavras-chave: Violência juvenil, Socioeducação, Lampejos, Políticas de sobrevivênccia

Resumo

Este artigo parte da análise de algumas falas de adolescentes em situação de privação de liberdade, bem como de enunciados que recolhemos da cultura; na sequência, refletimos sobre a violência juvenil como uma maneira de recusar reduzir suas manifestações às lógicas criminalizantes, individualizantes e patologizantes. Compartilhamos também algumas problematizações que foram surgindo frente aos desafios e impasses que vivenciamos enquanto pesquisadores em psicanálise no campo socioeducativo: de que modo não sucumbir aos discursos que buscam fixar os jovens da socioeducação unicamente na posição de menores infratores? Como sustentar uma escuta baseada em uma política subversiva quando nos deparamos com uma sociedade fortemente atravessada por lógicas normatizantes? Essas e outras questões foram trabalhadas a partir do enlace entre a dimensão ético-política da psicanálise, a política das sobrevivências proposta por Didi-Huberman e o conceito de ralé proposto por Hannah Arendt.

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Biografia do Autor

Stéphanie Strzykalski, Universidade Federal de Rio Grande do Sul

Psicóloga Clínica. Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Cultura, Universidade Federal de Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.  

 

Rose Gurski, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Psicanalista, professora e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Psicanálise, Educação e Cultura, Universidade Federal de Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, Brasil.

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Publicado
2020-04-30
Como Citar
Strzykalski, S., & Gurski, R. (2020). Adolescência e lampejos. Estilos Da Clinica, 25(1), 21-34. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i1p21-34