Sobrevivendo no inferno

narrar a vida para fazer algo

Autores

  • Marta Quaglia Cerruti Instituto Sedes Sapientiae. Departamento de Formação em Psicanálise

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i1p35-47

Palavras-chave:

Biopolítica, Necropolítica, Racismo, Memória, Transmissão

Resumo

E

Este trabalho se desenvolve a partir de três eixos. O primeiro é uma breve retomada do que Foucault define como a biopolítica. Em seguida apresentamos e contextualizamos uma ferramenta de análise criada pelo filósofo e cientista social camaronês Achille Mbembe, a necropolítica, que constitui uma importante atualização da crítica social foucaultiana para fenômenos das periferias do capitalismo. De forma mais específica, tomaremos como eixo argumentativo aquilo que alude à articulação entre a biopolítica, a produção da vida e de subjetividades adequadas à forma social capitalista, e a necropolítica, uma política centrada na produção da morte em larga escala. Por fim, a partir dessa análise, tomando como eixo a produção do grupo de rap Racionais MC´s, destacaremos duas figuras que emergem das margens das cidades e que são capazes de operar a transmissão: o sobrevivente e a memória. Estas figuras, além de testemunharem a política de morte, podem indicar alguma forma de tratamento possível.

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Biografia do Autor

Marta Quaglia Cerruti, Instituto Sedes Sapientiae. Departamento de Formação em Psicanálise

Psicanalista. Docente do Departamento de Formação em Psicanálise, Instituto Sedes Sapientiae, São Paulo, SP, Brasil.        

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Publicado

2020-04-30

Como Citar

Cerruti, M. Q. (2020). Sobrevivendo no inferno: narrar a vida para fazer algo. Estilos Da Clinica, 25(1), 35-47. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i1p35-47