Ocupa Escola

tratamento aos impasses da adolescência no laço social?

  • Luciana Gageiro Coutinho Universidade Federal Fluminense
Palavras-chave: Adolescência, Psicanálise, Laço social, Escola, Movimentos sociais

Resumo

O artigo parte do pressuposto de que pensar a adolescência é também refletir sobre os impasses no laço social, incluindo-se aí o laço educativo e os discursos que o constituem. Sustenta que, no contexto escolar brasileiro, os laços dos adolescentes com a família e com a escola são muitas vezes marcados pela condição de vulnerabilidade social e por discursos educativos atravessados por especialismos e por exigências produtivistas.  Esses sujeitos adolescentes são assim silenciados e tal condição de desamparo discursivo incide sobre o trabalho da adolescência dificultando a passagem do discurso infantil referido à família para os discursos sociais referidos ao Outro social.  Defende que o sofrimento psíquico desses adolescentes é sociopolítico, ou seja, diz respeito aos impasses provenientes dos lugares que ocupam no laço social e nos discursos dominantes, de modo que o seu tratamento deve se dar também na dimensão do coletivo.  Aborda alguns extratos de uma pesquisa sobre as ocupações das escolas ocorridas entre 2015 e 2017 em todo o Brasil para pensar sobre o trabalho da adolescência e um tratamento possível aos impasses no laço social que se apresentam na escola em nosso contexto contemporâneo.

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Biografia do Autor

Luciana Gageiro Coutinho, Universidade Federal Fluminense

Professora-associada da Universidade Federal Fluminense, Niterói, RJ, Brasil. 

 

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Publicado
2020-04-30
Como Citar
Coutinho, L. (2020). Ocupa Escola. Estilos Da Clinica, 25(1), 63-76. https://doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v25i1p63-76