As narrativas sobre os indígenas brasileiros nos megaeventos mundiais do século XXI

Palavras-chave: Megaeventos, Representação, Ameríndios

Resumo

Megaeventos internacionais têm como objetivo transmitir uma narrativa favorável para nações anfitriãs e seu povos. No caso do Brasil, a organização da Copa do Mundo da Fifa 2014 e dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016 proporcionou ao país uma poderosa exposição midiática capaz de apresentar novas narrativas de sua história em um período de apenas dois anos. Este artigo descreve como os comitês organizadores dos eventos mencionados representaram os primeiros habitantes do país, os ameríndios, com a seleção de diferentes narrativas construídas ao longo da história intelectual brasileira. Portanto este artigo busca, por meio de um apanhado histórico, expor os movimentos culturais e eventos políticos que culminaram no entendimento que parte da sociedade brasileira – na qual os comitês supracitados estão inseridos – tem sobre os ameríndios e seu papel na construção da nação.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Daniel Malanski, Sorbonne Nouvelle - Paris 3

Doutor em História Cultural pela Universidade de Paris 3 – Sorbonne Nouvelle e em Comunicação Audiovisual pela Universidade Autônoma de Barcelona. Realizou doutorado sanduíche no King’s Brazil Institute do King’s College de Londres e foi Senior Research Assistant na City University de Hong Kong. Mestre em Comunicação e Mídia pela Universidade de Estocolmo e pesquisa temas relacionados à modernidade/colonialidade, nacionalismo, identidades regionais, estudos culturais e mega-eventos mundiais.

Referências

ALENCAR, José de. O Guarani. São Paulo: Ateliê Editorial, 2010.

ANDRADE, Oswald de. Manifesto Antropófago. Revista de Antropofagia, São Paulo, ano 1, n. 1, p. 3 e 7, maio 1928.

BARBUY, Heloisa. O Brasil vai a Paris em 1889: um lugar na Exposição Universal. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 4, n. 1, p. 211-261, 1996.

CARVALHO, Vinícius de. Brasil, um país do futuro: projeções religiosas e leituras sobre um mote de Stefan Zweig. Horizonte, Belo Horizonte, v. 5, n. 9, p. 30-42, 2006.

COMITÊ BRASILEIRO PARA PARIS 1867. L’Empire du Brésil a l’Exposition Universelle de 1867 à Paris. Rio de Janeiro: Typographie Universelle de Laemmert, 1867.

COMPAGNON, Olivier. L’adieu à l’Europe: L’Amérique latine et la Grande Guerre. Paris: Fayard, 2013.

CUNHA, Euclides da. Rebellion in the Backlands. Chicago: University of Chicago Press, 2010.

DEGREGORI, Carlos Iván. Ocaso y replanteamiento de la discusíon del problema indigena (1930-1977). In: DEGREGORI, Carlos Iván et al. Indigenismo, classes sociales y problema nacional: la discusión sobre el “problema indígena”. Lima: Ediciones Cetals, 1978. p. 227-251.

FREYRE, Gilberto. Casa-grande e senzala. Rio de Janeiro: Globo, 1933.

FREYRE, Gilberto. O mundo que o português criou: aspectos das relações sociaes e de cultura do Brasil com Portugal e as colônias portuguesas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1940. v. 28.

GOBINEAU, Arthur. The inequality of human races. London: William Heinemann, 1915.

HALL, Stuart. The west and the rest: discourse and power. In: MAAKA, Roger; ANDERSEN, Chris. The indigenous experience: global perspectives. Toronto: Canadian Scholars’ Press, 1992. p. 165-173.

HEGEL, George. The philosophy of history. Kitchner: Batoche Books, 2011.

LARRAIN, Jorge. Identity and modernity in Latin America. Cambridge: Polity Press, 2005.

MALANSKI, Daniel. “Juntos num só ritmo”: FIFA World Cups of 1950 and 2014 as milestones of Brazil’s advances towards regional representation within Brazilian-ness. Sport in Society, Abingdon, v. 19, n. 10, p. 1518-1536, 2016.

MALANSKI, Daniel. Brazil 2014 and Rio 2016, in-between Mythological Amerindians narratives and the Tupi Alter-Modern Project. In: ALCÁNTARA, Manuela; GARCÍA MONTERO, Mercedes; LÓPEZ, Francisco Sánches. Antropología: memorial del 56º Congresso Internacional de Americanistas. Salamanca: Aquilafuente, 2018. p. 178-191.

MALANSKI, Daniel. Cannibals, colorful birds, and exuberant nature: the representation of Brazilian nationalism and its tropical modernity in the 2016 Rio Olympics. Journal of Sport and Social Issues, Thousand Oaks, 21 nov. 2019. Não paginado.

MIGNOLO, Walter. The idea of Latin America. London: Blackwell, 2005.

QUIJANO, Anibal. Coloniality of power and Eurocentrism in Latin America. International Sociology, Thousand Oaks, v. 15, n. 2, p. 215-232, 2000.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.

RODRIGUES, José Honório. Vida e história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1966.

SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. Museums without past, the Brazilian case. International Journal of Cultural Studies, Thousand Oaks, v. 6, n. 2, p. 180-201, 2003.

SCHUSTER, Sven. The World’s Fairs as spaces of global knowledge: Latin American archaeology and anthropology in the age of exhibitions. Journal of Global History, Cambridge, UK, v. 13, p. 69-93, 2008.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. A Mestizo and tropical country: the creation of the official image of independent Brazil. Erlacs: European Review of Latin American and Caribbean Studies, Amsterdam, v. 80. p. 25-42, 2006.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. O espetáculo das raças. Companhia das Letras: São Paulo, 2012.

SKIDMORE, Thomas. Brazilian intellectuals and the problem of race (1870-1930). Nashville: Vanderbilt University, 1969.

TREECE, David. Exiles, allies, rebels: Brazil’s Indianist movement, indigenist politics and the imperial nation-State. Westport: Greenwood Press, 2000.

VIEIRA, Antônio. Sermão do espírito santo. In: VIEIRA, Antônio. Sermões. São Paulo: Editora das Américas, 1957. v. 5, p. 205-255.

VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naify, 2014.

VON MARTIUS, Karl Friedrich. Como se deve escrever a História do Brasil. Revista de História de América, Cidade do México, v. 42, p. 433-458, 1956.

ZWEIG, Stefan. Brasil, um país do futuro. Porto Alegre: L&PM, 2006.

Publicado
2019-12-30
Como Citar
Malanski, D. (2019). As narrativas sobre os indígenas brasileiros nos megaeventos mundiais do século XXI. Revista Extraprensa, 13(1), 208-226. https://doi.org/10.11606/extraprensa2019.163795