Portal da USP Portal da USP Portal da USP

Notas sobre a concepção hobbesiana das relações do desejo e da razão com o tempo

João Carlos Brum Torres

Resumo


O propósito deste artigo é discutir o modo como Hobbes concebe a relação do desejo com o tempo, entendido o ponto como o esforço para determinar se e como o filósofo atribui privilégios práticos ou ao presente, ou ao passado, ou ao futuro, ou se, alternativamente, sua posição é de neutralidade com relação a essa questão. O desenvolvimento da análise mostra que aqui o progresso depende criticamente do modo como Hobbes concebe a racionalidade dos comportamentos humanos. Essa ligação da racionalidade com o tempo não constitui, contudo, todo o necessário para o trabalho elucidativo a que se propõe o artigo, o qual depende ainda da consideração de vários elementos doutrinários complementares, notadamente a explicação do modo como Hobbes entende a natureza metafísica do tempo, da vida e das paixões que a animam; de sua concepção dos sinais, dos nomes e, em geral da linguagem e da relação desta com o cálculo, assim como de sua tese sobre o estatuto da felicidade humana. A partir da retomada articulada desses diferentes aspectos, o artigo concluirá mostrando que Hobbes, ao introduzir a distinção entre bem aparente e bem real, sustentará que, malgrado a shortsightness a que nos compelem as paixões, a capacidade que nos dá a razão de calcular causas e consequências nos permite visualizar prudencialmente o futuro, de modo que, podendo recurvar a linha do tempo e, assim, anular o privilégio que espontaneamente damos ao presente, não só também podemos, mas devemos, fazer do futuro o guia para construção de nossas vidas.

Palavras-chave


Hobbes; tempo; desejo; razão; cálculo

Texto completo:

PDF

Referências


Obras de Hobbes

Hobbes, T. (1839-1845). The English Works of Thomas Hobbes of Malbesbury, vol. 3. Molesworth, W. (ed.). London.

___________. (1845). Thomas Malmesburiensis opera philosophica quae Latine scripsit omina, vol. II. Molesworth, W. (ed.). London.

___________. (1996). Leviathan. Tuck, R. (ed.). Revised Student Edition. New York: Cambridge University Press.

___________. (1972). Man and Citizen. Gert, B. (ed.). New York: Anchor Books, Doubleday & Company, Inc.

___________. (1974). Leviatã. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Abril Cultural.

___________. (1992). Do cidadão. Tradução de Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Martins Fontes.

___________. (2002). Os elementos da lei natural e política. Tradução de Fernando Dias Andrade. São Paulo: Ícone Editora.

___________. (2009). Do corpo – Parte I, Cálculo ou Lógica. Edição em latim e português. Tradução e notas de Maria Isabel Limongi e Vivianne de Castilho Moreira. Campinas: Editora Unicamp.

Outras obras

Hampton, J. (1986). Hobbes and the Social Contract Tradition. New York: Cambridge University Press.

Heidegger, M. (2012). Ser e Tempo. Tradução de Fausto Castilho. Petrópolis, RJ e Campinas, SP: Vozes e Editora da Unicamp

Kavka, G. (1986). Hobbesian Moral. and Political Theory. Princeton New Jersey: Princeton University Press.

McTaggart, E. (1908 ). The Unreality of Time, Mind, New Series,17(68).

Marshall, A. (1920). Princípios de Economia, Livro III, cap. V, § 3. [E-book versão online oferecida pelo Liberty Fund (The Online Library of Liberty), baseada na 8ª edição da obra, publicada por Macmillan & Co., em 1920]. Recuperado de:

http://files.libertyfund.org/files/1676/Marshall_0197_EBk_v6.0.pdf. Acesso em: 04.05.2016.

Oakeshot, M. (1991). The moral life in the Writings of Thomas Hobbes, in Rationalism in politics and other essays. Indianapolis: Liberty Fund.

Parfit, D. (1984). Reasons and Persons. Oxford, UK: Oxford University Press.

Warrender, H. (1957). The Political Philosophy of Hobbes. Oxford, UK: Oxford University Press.




DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2318-9800.v21i1p29-44

Métricas do Artigo

Carregando métricas...

Metrics powered by PLOS ALM

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




INDEXADO POR:  International Philosophical Bibliography - Répertoire bibliographique de la philosophie; Latindex; The Philosopher's Index; Ulrich’s Periodicals Directory; REDIB (Red Iberoamericana de Innovación y Conocimiento Científico). ESTRATO A2 NO QUALIS DA CAPES.