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Linguagem, pulsão e atavismo: análise genética e mapeamento conceitual em torno do problema do inconsciente em Nietzsche e sua relação com o transcendental

William Mattioli

Resumo


O objetivo do presente trabalho é esboçar uma análise do desenvolvimento da noção de inconsciente em momentos importantes do pensamento de Nietzsche. Nosso argumento geral gira em torno de duas hipóteses com as quais pretendemos apresentar uma leitura que vai na contramão da visão comum segundo a qual Nietzsche pertenceria à tradição irracionalista do inconsciente, que tem Schopenhauer como seu mais emblemático representante. Trata-se 1) de uma hipótese histórica, que pretende inserir Nietzsche na tradição do inconsciente cognitivo a partir da noção de “representação inconsciente”, e 2) de uma hipótese genético-sistemática, que pretende esboçar um plano de compreensão no tocante ao desenvolvimento da concepção nietzscheana do inconsciente, distinguindo e mapeando algumas noções ao longo de sua produção intelectual.


Palavras-chave


inconsciente; pulsão; linguagem; atavismo; a priori

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2318-9800.v22i1p71-98

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