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A construção política da identidade: um desafio feminista à distinção entre político e social

Paulo Eduardo Bodziak Junior

Resumo


Se o hábito arendtiano de separar conceitos possibilitou importantes críticas à modernidade e promoveu um novo questionamento sobre o sentido da política, ele também possibilitou duras críticas ao pensamento da autora, de machista a nostálgico helênico. Compreender as distinções de modo a evitar compreensões rígidas é o exercício mais adequado para não perder as contribuições de Arendt ao debate político contemporâneo. Nesse sentido, autoras como Bonnie Honig e Hanna Pitkin lançam um desafio interessante às categorias arendtianas, extraindo delas uma possibilidade de leitura muito rica através dos conflitos de formação da identidade. Neste artigo, pretende-se mostrar como uma leitura específica, atitudinal e relacional, pode dar fôlego às distinções de Arendt, atenuando-as, porém sem fazer com que elas percam sua capacidade de traçar características próprias ao político e ao social.


Palavras-chave


Arendt; Identidade; Pitkin; Honig; sociedade

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2318-9800.v19i1p85-104

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