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Um cabra de cor ou um cabra da mãe: dinâmicas de sentido para “cabra” entre os séculos XVI e XIX

Mayara Aparecida Ribeiro de Almeida, Amanda Moreira de Amorim, Maria Helena de Paula

Resumo


 No presente estudo analisamos as dinâmicas de sentido da lexia “cabra”, largamente utilizada no Brasil entre os séculos XVI e XIX para referenciar alguns índios e negros nascidos na condição de escravos ou livres no país, buscando definir o seu sentido em três tipos de documentos: uma escritura de doação de escravo (fólios 109 verso e 110 recto) presente no Livro de Notas do 2º Tabelliaõ Isaac Lange da Cunha; o Livro de Registros de Batizados da Paróquia Nossa Senhora Mãe de Deus (maio de 1837 a setembro de 1838); e documentos presentes na tese “Dar nome ao novo: uma história lexical da ibero-América, entre os séculos XVI e XVIII (as dinâmicas de mestiçagens e o mundo do trabalho)” de Paiva (2014). Para tanto, baseamo-nos nas lições da lexicologia apresentadas por Biderman (2001). Em sequência, consultamos os dicionários de Ferreira (2010), Bluteau (1728), Houaiss e Villar (2009), Moura (2004) e Moraes Silva ([1789]1813) para verificação e confronto de definições. Fundamentamo-nos, também, nos estudos de Paiva (2014) e Malheiro (1867; 2014) no que se refere a fontes teóricas acerca da história escravocrata, relacionando o acervo lexical dos manuscritos citados anteriormente com a história e a cultura por eles registradas. 


Palavras-chave


Escravidão. Cabra. Lexicologia. Manuscritos.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v19i1p143-161

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