Nomes deverbais não sufixados e os equívocos da falsa “derivação regressiva” no português brasileiro e europeu

  • Graça Rio-Torto Universidade de Coimbra
Palavras-chave: Formação de palavras, Morfologia, Derivação, Nomes deverbais, Derivados regressivos, Língua portuguesa

Resumo

A formação de nomes deverbais não sufixados, como afronta, ajuste, despiste, desvio, embarque, engorda, esforço, gargarejo, murmurejo, passeio, voo, tem sido objeto de análises de natureza díspar, no que tange ao seu embasamento teórico e metodológico, à sua história, ao seu modo de construção e/ou à sua morfologia.

Neste estudo descrevem-se as questões fundamentais que a descrição destes suscita, os equívocos que ainda subsistem na sua abordagem, e propõem-se soluções metodológicas e teóricas que permitam um tratamento dos nomes deverbais não sufixados consentâneo com o conhecimento mais atualizado dos mesmos.

Em 1. apresenta-se o objeto de estudo. Em 2. explora-se a relação cronológica dos nomes com os verbos de base. Em 3. problematiza-se a natureza morfológica da base verbal, bem como a morfologia dos nomes deverbais. Em 4. descrevem-se as áeras temáticas e o semantismo dos nomes deverbais não sufixados. Em 5. traça-se uma panorâmica do percurso deste processo derivacional não sufixal ao longo da história da língua, e avaliam-se as condições de subsistência deste mecanismo concorrencial com outros.

Biografia do Autor

Graça Rio-Torto, Universidade de Coimbra

Docente da Universidade de Coimbra. Especialista em formação de palavras, morfologia e semântica do léxico, língua portuguesa.

 

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Publicado
2018-06-07
Como Citar
Rio-Torto, G. (2018). Nomes deverbais não sufixados e os equívocos da falsa “derivação regressiva” no português brasileiro e europeu. Filologia E Linguística Portuguesa, 20(1), 31-46. https://doi.org/10.11606/issn.2176-9419.v20i1p31-46
Seção
Artigos