Filologia e Linguística Portuguesa http://www.revistas.usp.br:80/flp <p style="text-align: justify;">Ativa desde 1997, a Filologia e Linguística Portuguesa publica estudos em Filologia e Linguística,&nbsp;com atenção ao seu valor para as investigações sobre a linguagem em geral e a língua portuguesa em particular. Os trabalhos cobrem linhas diversas,&nbsp;como a crítica textual, a paleografia, a codicologia, a diplomática, a linguística histórica, os estudos gramaticais, a retórica, a análise do discurso e a historiografia linguística. A Revista oferece acesso aberto integral aos artigos, e está indexada em&nbsp;<a href="/flp/indexes">nove bases de dados nacionais e internacionais</a>. Saiba mais sobre nossa&nbsp;<a href="/flp/politica">política editorial</a>&nbsp;e sobre&nbsp;<a href="/flp/about//submissions">como submeter</a>&nbsp;artigos.</p> Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas pt-BR Filologia e Linguística Portuguesa 2176-9419 <p>Os direitos autorais serão cedidos à revista para publicação on-line, com livre acesso e impressa para arquivo em papel. Serão preservados, porém, para autores que queiram republicar os seus trabalhos em coletâneas.</p> Apresentação http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/174378 <p>O volume 22, n.º 1, da revista <em>Filologia e Linguística Portuguesa</em>, que ora vem a público, traz artigos sobre diferentes campos de interesse no âmbito da Filologia e da Linguística. Os temas abordados distribuem-se por campos tão diversos como a crítica textual, a gramática histórica, a sociolinguística, a morfossintaxe, a análise do discurso e a historiografia linguística.</p> <p>O volume abre-se com o artigo intitulado <em>O caderno Harmonielehre | III | Skizzen e a primeira campanha de escrita de Os Degraus do Parnaso, de M. S. Lourenço.</em> O autor, João Dionísio, parte da crítica textual prescritiva e descritiva para refletir sobre o processo de escrita e de revisão, em uma abordagem conjugada da empaginação e dos instrumentos escriptórios<em>. </em>O testemunho analisado é um caderno que conserva as primeiras redações de nove ensaios integrados em <em>Os Degraus do Parnaso</em>, que constitui a obra mais conhecida do escritor e filósofo português M. S. Lourenço (1936-2009).</p> <p>Na sequência, o artigo de Marcos Martinho apresenta <em>Lições sobre a sintaxe histórica do infinitivo português: infinitivo subjetivo, adnominal, preposicional, substantivado</em>. O autor expõe a sintaxe histórica do infinitivo subjetivo, adnominal, preposicional e substantivado do português, a partir da sintaxe histórica do infinitivo latino. Além de fazer uma minuciosa exposição histórica dos diferentes tipos de infinitivo, o autor trata, em particular, do modo como essas espécies de infinitivo são empregadas no latim e no português escrito.</p> <p>O terceiro artigo do volume examina as <em>Variantes sociolinguísticas e a posteriorização das </em><em>fricativas vozeadas em Alagoas</em>. As autoras, Eliane Vitorino de Moura Oliveira e Marcleya Thaynara Ribeiro dos Santos, estudam a troca das fricativas vozeadas labiodental [v], alveolar [z] e palatal [ʒ] pela fricativa glotal [ɦ] na variedade do português praticado em Alagoas. Com base na Sociolinguística Variacionista, analisa-se a influência de fatores linguísticos e extralinguísticos na ocorrência da posteriorização das fricativas vozeadas labiodental [v], alveolar [z] e palatal [ʒ], para a fricativa glotal [ɦ]. O objetivo é traçar um perfil sociolinguístico do falante que pratica essa variedade em Alagoas. Os resultados mostram que a nasalização influencia a posteriorização e que há tendência maior de o fenômeno ocorrer na fala de pessoas do sexo masculino, nascidas e criadas na zona rural.</p> <p>Por meio de <em>Um estudo construcional da microconstrução intensificadora “[[x] pra caramba]” no português brasileiro</em>, Ana Ligia Scaldelai Salles e Edson Rosa Francisco de Souza analisam, com base nos pressupostos teóricos da abordagem construcional, a microconstrução intensificadora <em>[[X] pra caramba]</em>, no português brasileiro. Os autores afirmam que a função desse tipo de microconstrução é expressar uma ideia de encarecimento acerca de algo, que ultrapassa os limites do que é considerado típico ou não excessivo pelo falante. Em uma perspectiva histórica, os autores verificam que essa microconstrução emerge na língua no século XX e torna-se bastante produtiva no português, e, portanto, mais esquemática, a ponto de atrair outras microconstruções intensificadoras menos prototípicas.</p> <p>Em <em>Ocorrências de anáforas encapsuladoras em redações do Enem</em>, Roberlei Alves Bertucci, Andréa Jacqueline Malheiros e Wanderlei de Souza Lopes verificam como as anáforas encapsuladoras são utilizadas como rótulos avaliativos no gênero <em>redação do Enem</em>. Segundo afirmam os autores, a análise realizada corrobora a ideia de que as anáforas examinadas são essenciais para a coesão do texto e, no caso do gênero <em>redação do Enem</em>, são essenciais também para o direcionamento argumentativo do texto.</p> <p>No artigo intitulado <em>Discourse markers in English and European Portuguese translations: establishing functional equivalents and types of omission</em>, Milana A. Morozova examina alguns marcadores discursivos em inglês, com base em traduções de um corpus paralelo bidirecional inglês-português. A análise das traduções estabelece equivalentes funcionais de MDs do inglês para o português europeu e procura abordar o fenômeno de omissão de MDs frequentemente observado em traduções do ponto de vista empírico e não teórico. A análise do corpus resultou na identificação de três tipos mais comuns de omissão.</p> <p>Conclui a seção de artigos deste volume o estudo intitulado <em>As ideias linguísticas e pedagógicas da primeira gramática feminina em Portugal (Francisca de Chantal Álvares, 1786)</em>, da autoria de Lívia de Melo. O artigo apresenta a gramática intitulada <em>Breve Compendio da Gramatica Portugueza, para o uso das Meninas que se educaõ no Mosteiro da Vizitaçaõ de Lisboa, por huma Religioza do mesmo Mosteiro</em>, que data de 1786 e cuja autoria foi atribuída a Francisca de Chantal Álvares. Sob a perspectiva da Historiografia Linguística, faz-se uma descrição esquemática da obra. A obra foi produzida para servir de apoio didático na primeira instituição de ensino feminino em Portugal, sendo a primeira gramática portuguesa escrita por uma mulher. Há evidências de que uma das suas principais fontes tenha sido a <em>Arte da Grammatica da Lingua Portugueza</em>, de Reis Lobato (1770).</p> <p>Na seção de resenhas deste volume, Marcelo Modolo e Fábio Garcia Dias analisam o <em>Dicionário Infernal</em>: <em>repertório universal</em>, de Jacques Albin Simon Collin de Plancy, publicado pela Edusp em 2019.</p> Sílvio de Almeida Toledo Neto Maria Clara Paixão de Sousa Flaviane Romani Fernandes Svartman ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-09-01 2020-09-01 22 1 7 8 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p7-8 O caderno Harmonielehre | III | Skizzen e a primeira campanha de escrita de Os Degraus do Parnaso, de M. S. Lourenço http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/166080 <p>No âmbito de um entendimento global da crítica textual prescritiva e descritiva, reflecte-se sobre o processo de escrita e de revisão a partir da abordagem conjugada da empaginação e dos instrumentos escriptórios. O testemunho em análise como objecto da codicologia moderna é um caderno que conserva as primeiras redacções de nove ensaios integrados em <em>Degraus do Parnaso</em>, a obra mais conhecida do escritor e filósofo português M. S. Lourenço (1936-2009). Este caderno é relacionado com outros suportes de escrita que existem no espólio do autor. É dada atenção especial aos instrumentos de escrita usados (canetas de várias cores) de maneira a tentar apurar hábitos de redacção e as funções que lhes podem ser atribuídas.</p> João Miguel Quaresma Mendes Dionísio ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 9 20 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p9-20 Lições sobre a sintaxe histórica do infinitivo português: infinitivo subjetivo, adnominal, preposicional, substantivado http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/164911 <p>Exponho a sintaxe histórica do infinitivo subjetivo, adnominal, preposicional e substantivado do português, partindo da sintaxe histórica do infinitivo latino. O infinitivo subjetivo decorreu de uma interpretação mais lógica que gramatical do infinitivo objetivo em latim. O infinitivo adnominal desenvolveu-se parcialmente em latim graças a um processo analógico, e só se desenvolveu plenamente em português graças ao progresso do infinitivo preposicional. Este, excepcional em latim, desenvolveu-se amplamente em português. A substantivação do infinitivo permitiu que este fosse acompanhado de adjetivo em latim e português, podendo inclusive receber a desinêncianominal ‘-[e]s’ em português para flexionar-se no plural como um substantivo qualquer. Trato, em particular, do modo como essas espécies de infinitivo foram empregadas no latim e no português escrito.</p> Marcos Martinho dos Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 21 39 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p21-39 Variantes sociolinguísticas e a posteriorização das fricativas vozeadas em Alagoas http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/168612 <p><strong>Resumo</strong>: Este artigo analisa a troca das fricativas vozeadas labiodental [v], alveolar [z] e palatal [ʒ] pela fricativa glotal [ɦ], processo chamado de posteriorização ou lenição, na variedade praticada Alagoas. Tendo como sustentação e metodologia a Sociolinguística Variacionista, mensuramos a influência de fatores linguísticos, basicamente o contexto fonológico posterior, e extralinguísticos, como o sexo, idade, escolaridade, profissão, local de nascimento e de moradia, para a ocorrência da posteriorização, visando traçar um perfil sociolinguístico do falante que pratica essa variedade em Alagoas. O corpus foi composto a partir da transcrição da fala de seis informantes, sendo três homens e três mulheres, obtido a partir de respostas a um questionário e da leitura direcionada realizada pelos seis informantes. As discussões dos resultados, incipientes, mostram que a nasalização influencia na posteriorização, havendo tendência maior desse fenômeno ocorrer em pessoas do sexo masculino, nascidas e criadas na zona rural. Tal estudo, entretanto, por seu caráter pioneiro e devido à limitação de seu corpus, pode servir de ponto inicial para pesquisas mais abrangentes.</p> <p>&nbsp;</p> Eliane Vitorino de Moura Oliveira Marcleya Thaynara Ribeiro dos Santos ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 41 53 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p41-53 Um estudo construcional da microconstrução intensificadora “[[x] pra caramba]” no português brasileiro http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/163977 <p>Este artigo busca analisar, com base nos pressupostos teóricos da abordagem construcional (Traugott e Trousdale, 2013; Bybee, 2010, etc), a microconstrução intensificadora <em>[[X] pra caramba]</em>, instanciada pelo subsesquema construcional <em>[[X] Prep+N]</em>, no português brasileiro, tendo em vista as propriedades da esquematicidade, composicionalidade e produtividade. A função desse tipo de microconstrução é expressar uma ideia de encarecimento acerca de algo, alguém ou evento, que ultrapassa os limites do que é tido como relativamente normal pelo falante. Assim, considerando como universo de investigação o <em>Corpus</em> do Português (Davies e Ferreira, 2006), nosso intento é apresentar uma breve descrição e análise da construção <em>[[X] pra caramba]</em> no que se refere à sua importância, à sua aplicabilidade e à sua produtividade na língua portuguesa, como forma de diferenciá-la de outras construções intensificadoras, do tipo “muito”, “bastante” e “demais”, definidas como simples. Em resumo, vimos que essa microconstrução emerge na língua no século XX, tornando-se bastante produtiva, e, portanto, mais esquemática, a ponto de atrair outras microconstruções intensificadoras menos prototípicas.</p> Ana Ligia Scaldelai-Salles Edson Rosa Francisco de Souza ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 55 79 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p55-79 Ocorrências de anáforas encapsuladoras em redações do Enem http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/164142 <p>Este trabalho pretende verificar como as anáforas encapsuladoras – também conhecidas como <em>encapsulamentos</em> – são utilizadas como rótulos avaliativos no gênero “redação do Enem”. Primeiramente, destacamos a importância da referenciação pelas anáforas, por serem um meio relevante para a coesão textual. Depois, ressaltamos o papel dos encapsulamentos em sumarizar e rotular porções textuais, construindo objetos de discurso essenciais para a coesão e, no caso dos textos argumentativos, para o posicionamento do autor (Koch, 2004; Cavalcante, 2005; Bertucci, 2006). Nosso corpus é constituído de 31 redações nota 1000 no Enem de 2018. Após a seleção, quantificamos a ocorrência das anáforas encapsuladoras, distinguindo-as entre descritivas e opinativas. Verificamos que: i) apenas 2 redações não apresentavam os encapsulamentos sob análise; ii) houve uma ocorrência maior do tipo descritivo (79%); e iii) em apenas dois textos o tipo opinativo se sobressaiu. Do ponto de vista qualitativo, decidimos analisar dois casos. Em ambos, a análise corrobora a ideia de que essas anáforas são essenciais para a coesão do texto e, no caso do gênero redação do Enem, são essenciais também para o direcionamento argumentativo do texto. Não à toa, foram avaliados com a nota máxima no Exame.</p> Roberlei Alves Bertucci Andréa Jacqueline Malheiros Wanderlei de Souza Lopes ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 81 102 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p81-102 Marcadores discursivos em traduções em inglês e português europeu: definição de equivalentes funcionais e tipos de omissão http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/169242 <p>Tendo como base traduções de um corpus paralelo bidirecional inglês-português, este artigo visa a examinar alguns marcadores discursivos (daqui em adiante MDs) em inglês (tais como <em>bem</em>, <em>sabe</em>, <em>quer dizer</em>). O artigo tem dois objetivos. Primariamente, a análise das traduções estabelece equivalentes funcionais de MDs de inglês para português europeu, complementando, desta forma, os estudos existentes sobre traduções de MD em corpus paralelo. Por outro lado, e mais importante, este trabalho procura abordar o fenômeno de omissão de MDs frequentemente observado em traduções do ponto de vista empírico e não teórico. Em particular, o estudo focaliza a omissão dos marcadores discursivos em inglês e português. A análise do corpus resultou na identificação de três tipos mais comuns de omissão: eliminação de marcador discursivo (ou seja, uma exclusão ou omissão simples do marcador), eliminação parcial de marcador (ou seja, quando um dos dois marcadores foram omitidos na tradução, ficando apenas um deles) e adição de marcador (ou seja, quando não há marcador no idioma original, mas o tradutor o adicionou).</p> Milana Andreevna Morozova ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 103 121 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p103-121 As ideias linguísticas e pedagógicas da primeira gramática feminina em Portugal (Francisca de Chantal Álvares, 1786) http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/169304 <p>A proposta deste artigo é apresentar uma das gramáticas mais desconhecidas da língua portuguesa, o <em>Breve Compendio da Gramatica Portugueza, para o uso das Meninas que se educaõ no Mosteiro da Visitação de Lisboa, por huma Religioza do Mesmo Mosteiro</em>, que data de 1786. Sua autoria foi atribuída a Francisca Chantal Álvares, após investigação sobre a história do referido mosteiro. Buscou-se identificar as ideias linguísticas e pedagógicas presentes nessa gramática, através de uma leitura crítica do seu conteúdo. Seguindo os pressupostos teórico-metodológicos da Historiografia Linguística, foi feita uma descrição esquemática da obra, considerando o contexto educacional para o qual se destinou. Produzida para servir de apoio didático na primeira instituição de ensino feminino em Portugal, foi também a primeira gramática portuguesa escrita por uma mulher. Sua metodologia é basicamente normativa. Ressalta a importância do conhecimento da língua materna para o aprendizado de outros idiomas e é encerrada com uma <em>Breve Advertência</em> contendo regras de pronúncia da língua francesa. Embora não apresente referências bibliográficas, há evidências de que uma das suas principais fontes tenha sido a <em>Arte da Grammatica da Lingua Portugueza</em> de Reis Lobato (1770).</p> Lívia de Melo ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 123 136 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p123-136 Dicionário Infernal: repertório universal, de Jacques Albin Simon Collin De Plancy (Resenha) http://www.revistas.usp.br:80/flp/article/view/167594 <p>Resenha crítica do livro:</p> <p>Collin De Plancy, Jacques Albin Simon. <em>Dicionário Infernal</em>: repertório universal. São Paulo, Edusp, 2019.</p> Marcelo Módolo Fábio Garcia Dias ##submission.copyrightStatement## http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0 2020-08-06 2020-08-06 22 1 137 140 10.11606/issn.2176-9419.v22i1p137-140