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Ordem e desordem no processo de implantação de Palmas: a capital projetada do Tocantins

Kelly Bessa, Claudia Fernanda Pimentel de Oliveira

Resumo


Diante dos processos de organização e produção do espaço urbano em Palmas, a capital projetada do Tocantins, valemo-nos da relação complexa entre ações marcadas por determinação e indeterminação. Nessa lógica de interpretação, define-se que o espaço urbano de Palmas é produto de três tipos de ordem: intencional (determinação), espontânea (indeterminação) e uma ordem cambiante entre elas. Este artigo visa conciliar esse aspecto, aparentemente contraditório, de uma urbanização determinada, a princípio, por tentativas planejadas, mas que cedeu a imprevisibilidades e indeterminações do mundo real, especialmente por arbitrariedades do poder público e interesses de agentes do mercado de terras, configurando um contexto marcado pela hegemonização político-econômica do território urbano. Portanto, esta possibilidade de análise da realidade urbana orienta-se pelas relações complexas entre o intencional e o espontâneo, o determinado e o indeterminado, e, por fim, entre a ordem e a desordem.

Palavras-chave


Cidade projetada. Produção do espaço urbano. Agentes produtores do espaço urbano.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2017.117161

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