Ser lugar e ser território como experiências do ser-no-mundo: um exercício de existencialismo geográfico

  • Angelo Serpa Universidade Federal da Bahia
Palavras-chave: Lugar. Território. Ser-no-mundo. Ser lugar. Ser território.

Resumo

Este ensaio busca aprofundar uma abordagem existencialista dos conceitos de lugar e território assumindo o pressuposto de que eles remetem, antes de tudo, a experiências geográficas que ora se distinguem, ora se aproximam e carregam em si a marca do espaço vivido. Para esta análise, parte-se do conceito de geograficidade – a base pré-consciente e pré-conceitual da geografia – assumindo também que, antes de qualquer conceituação ou estratégia de representação conceitual, as pessoas são seres essencialmente espaciais e que viver é produzir/experienciar espaço. O ensaio está dividido em seis seções: a introdução, uma problematização da dialética entre interior e exterior e seu desdobramento numa abordagem de como lugar e território se exprimem como modos geográficos de existência no espaço público; nas duas últimas seções, reflete-se sobre o papel do corpo nos processos de apropriação do espaço e sobre como ser lugar e ser território se exprimem como facetas do ser-no-mundo em seu sentido mais político.

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Biografia do Autor

Angelo Serpa, Universidade Federal da Bahia
Professor titular de Geografia Humana da Universidade Federal da Bahia. Pesquisador 1B do CNPq

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Publicado
2017-10-19
Como Citar
Serpa, A. (2017). Ser lugar e ser território como experiências do ser-no-mundo: um exercício de existencialismo geográfico. GEOUSP: Espaço E Tempo (Online), 21(2), 586-600. https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2017.125427