Pensar radicalmente sob a repressão: a geografia crítica brasileira no contexto da ditadura civil-militar

  • Elisa Favaro Verdi Universidade de São Paulo
Palavras-chave: Geografia Crítica, ruptura crítica, ditadura civil-militar, modernização autoritária, Universidade de São Paulo

Resumo

O objetivo deste artigo é analisar o contexto sócio-histórico de desenvolvimento da chamada Geografia Crítica brasileira. Tal movimento insere-se no momento da ditadura civil-militar, um período de autoritarismo e repressão política, social e intelectual. O questionamento que move essa reflexão, portanto, se deu no sentido de compreender como um pensamento crítico – a Geografia Crítica - se fortalece e prolifera em um momento de repressão. Para tanto, trataremos do processo de modernização autoritária que o regime militar implementou, com especial interesse na modernização do ensino superior e consequências para a Universidade de São Paulo (USP), mais especificamente para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A intenção é compreender as possíveis relações entre tal contexto e a elaboração de novos temas e problemáticas na ciência geográfica, a partir dos sujeitos diretamente envolvidos nessa elaboração: os estudantes de graduação e pós-graduação em Geografia à época.

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Biografia do Autor

Elisa Favaro Verdi, Universidade de São Paulo
Mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo com estágio de pesquisa no Institut des Hautes Études de l'Amérique Latine (IHEAL), Sorbonne Nouvelle, Paris III, França. Bacharel e Licenciada pela USP.

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Publicado
2018-12-12
Como Citar
Verdi, E. (2018). Pensar radicalmente sob a repressão: a geografia crítica brasileira no contexto da ditadura civil-militar. GEOUSP Espaço E Tempo (Online), 22(3), 539-558. https://doi.org/10.11606/issn.2179-0892.geousp.2018.152423
Seção
Dossiê 40 anos da Geografia Crítica